O advogado do jovem de 18 anos acusado de planejar o ataque que deixou uma aluna morta em uma escola de Sapopemba, na zona leste de São Paulo, afirmou que o jovem, Miguel Ângelo, nunca liderou o grupo digital no qual o ataque foi planejado.
Miguel “fez parte de algum grupo, mas efetivamente nunca liderou esse grupo”, disse o advogado Carlos Duarte, responsável pela defesa do jovem. Ele falou sobre o assunto a jornalistas do lado de fora do tribunal da Feira, no distrito de Aveiro, onde o crime é julgado.
Jovem “não é um monstro”, disse a defesa. Carlos Duarte falou sobre o assunto após a sessão à qual Miguel compareceu hoje. “O que posso garantir é que a família prestou os melhores cuidados a Miguel e que em termos educacionais nada tem a apontar”, disse a defesa, segundo o jornal Correio da Manhã.
O julgamento de hoje aconteceu a portas fechadas a pedido dos juízes responsáveis pela investigação.
Miguel está preso desde maio de 2025.
Sessão foi interrompida na tarde de hoje e será retomada no dia 26, quando testemunhas brasileiras devem ser ouvidas. Hoje, Miguel não deu declarações à Justiça e o júri ouviu somente as falas dadas por ele quando foi preso, em maio de 2024.
ACUSAÇÃO CONTRA JOVEM PORTUGUÊS
Acusação afirma que Miguel incitou um adolescente de 16 anos a cometer o ataque que resultou na morte de Giovanna Bezerra, em 2023. Pelo menos outros dois massacres teriam sido impedidos por autoridades brasileiras.
O Ministério Público de Portugal acusa o homem de liderar uma célula neonazista e o grupo “The Kiss” na internet. Segundo a acusação, membros do grupo compartilhavam discursos racistas e incentivavam a automutilação e à violência contra animais.
Mikazz, como é conhecido na internet, responde por 240 crimes. Sete deles são de homicídio -um consumado e seis tentados.
O jovem está preso preventivamente em Portugal desde maio de 2024. Conforme as investigações, ele teria ordenado massacres no Brasil a partir das cidades portuguesas Santa Maria da Feira e Gondomar.
O autor do massacre em Sapopemba tinha 16 anos. O atirador, um aluno do 1º ano do ensino médio, transmitiu o ataque ao vivo e deixou outros três colegas feridos. “Eles pediram para eu fazer e eu fiz”, alegou o menor, referindo-se aos membros do grupo.
O Ministério Público de Portugal concluiu que o brasileiro não teria capacidade de planejar e agir sozinho, e que a influência do português foi decisiva para o assassinato. As provas foram reunidas graças a uma força-tarefa internacional entre a Polícia Judiciária e a Polícia Federal.