Promotoria aciona sindicato dos professores de SP por evento que celebrou ataques do Hamas

Promotoria aciona sindicato dos professores de SP por evento que celebrou ataques do Hamas
Promotoria aciona sindicato dos professores de SP por evento que – Reprodução

O Ministério Público de São Paulo acionou no último dia 9 o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) pela cessão do auditório da entidade a um evento do PCO (Partido da Causa Operária) que celebrou, de acordo com o órgão, os dois anos do atentado do grupo terrorista Hamas contra Israel.

A ação pede que o sindicato seja condenado a pagar R$ 120 mil em indenização por danos morais coletivos.

A Apeoesp afirmou não ter vínculo algum com o evento e reiterou declarações dadas no ano passado, quando houve a repercussão do caso.

Na nota, diz que “não apoia a violência como ação política e não compactua com a exaltação de ações violentas” e que a cessão do auditório é feita regularmente “para atividades de entidades e movimentos e até órgãos públicos”.

Afirma ainda que o espaço foi solicitado “pela corrente Educadores em Luta, formada por professores que atuam em nosso sindicato” e que apoia o povo palestino.

“Exigimos o fim do genocídio que vem sendo praticado na Faixa de Gaza e as ações militares e agressões ilegais que vêm ocorrendo em outras áreas do território palestino”, afirmou na ocasião.

A solenidade ocorreu em 7 de outubro do ano passado, mesmo dia dos atentados do Hamas em 2023, e foi intitulada “Guerra de resistência contra o genocídio na Palestina – 2º aniversário da Operação Dilúvio de Al-Aqsa”.

Para a Promotoria, o episódio “extrapolou os limites da liberdade de expressão, assumindo caráter discriminatório, com apologia indireta à violência terrorista e disseminação de discurso de ódio contra o povo judeu”.

A Promotoria afirma que a Apeoesp tinha ciência do evento e “nada fez para impedir, suspender ou condicionar a realização do evento”. Diz também que o sindicato não adotou “qualquer medida de cautela ou fiscalização quanto ao conteúdo que seria difundido em suas dependências”.

“Tal omissão permitiu a utilização de espaço institucional de entidade sindical de grande relevância social para a propagação de discurso que viola frontalmente os valores constitucionais da igualdade, da dignidade da pessoa humana e do repúdio ao racismo, notadamente ao antissemitismo”, diz o órgão.

O Ministério Público diz que “o discurso de ódio em face do povo judeu, contra o Estado de Israel, bem como as notícias distorcidas e fraudulentas contra um povo afeta a qualidade da democracia brasileira”.

Afirma ainda que “não se pode negar [que o evento] se dá em um contexto de crescimento de células neonazistas no Brasil”, citando questões como o genocídio do povo judeu.

O PCO —que não é alvo da denúncia— afirmou prestar solidariedade à Apeoesp e declarou em nota protestar “contra a escalada repressiva e ditatorial dos órgãos de repressão do Estado, os quais tomam decisões que implicam o fim da liberdade de expressão e manifestação, particularmente para calar as denúncias contra o massacre que ocorre à vista de todos na Palestina”.

Disse também que “não se trata de nenhuma consideração ética ou religiosa, mas simplesmente de uma guerra colonial contra mulheres, crianças e cidadãos palestinos desarmados e indefesos”.

“Além disso, é preciso afirmar que o sindicato é um espaço democrático dos trabalhadores. O próprio processo é uma violação da autonomia sindical, uma intimidação contra todas as organizações sindicais.”

O evento no auditório da Apeoesp foi realizado antes de um cessar-fogo na Faixa de Gaza assinado pelo presidente Donald Trump, dos EUA, com representantes de Egito, Qatar e Turquia, em outubro do ano passado —ataques continuam apesar dele.

O mandatário agora aposta em um Conselho de Paz criado por ele mesmo e destinado, segundo os Estados Unidos, à reconstrução de Gaza. Apesar da proposta inicial, Trump já demonstrou interesse para além do território palestino, e especialistas temem que o colegiado venha de alguma forma para esvaziar a ONU (Organização das Nações Unidas).

T CSM

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