A doação de leite materno no Distrito Federal está abaixo do volume necessário para atender recém-nascidos internados nas unidades de terapia intensiva neonatal (UTIs). A rede precisa de cerca de 2 mil litros por mês para suprir a demanda, mas, em janeiro, foram arrecadados 1.558 litros, quantidade insuficiente para abastecer as 21 unidades da rede, que incluem 14 bancos de leite humano e 7 postos de coleta.
De acordo com Graça Cruz, coordenadora das políticas de aleitamento materno do Distrito Federal, a redução dos estoques ocorre tradicionalmente no período de férias, quando há mudanças na rotina das famílias. “Os nossos estoques estão baixos. Como ocorre todos os anos, no período de férias, entre dezembro, janeiro e até fevereiro, acontece um declínio das coletas de leite humano”, afirmou. Segundo ela, viagens e a presença de familiares nas casas das doadoras acabam dificultando a retirada e o armazenamento do leite. “A gente entende que seria por conta das férias escolares, das viagens, da família que vem para casa da doadora e acaba que ela realmente diminui um pouco as condições dela tirar esse leite e doar”, comentou. Em janeiro, 1.380 bebês receberam leite humano nas unidades do DF. O público atendido é formado por recém-nascidos internados em UTIs neonatais, prematuros, de baixo peso ou com algum problema de saúde. Muitas vezes, as próprias mães desses bebês não conseguem produzir leite suficiente em razão do estresse e da preocupação causados pela internação. “Muitas vezes essa mulher ficou preocupada quando o bebê nasceu antes da hora ou nasceu com algum problema de saúde. Então ela fica ansiosa, fica preocupada e acaba que a produção dela demora um pouquinho”, explicou a coordenadora.
A rede do DF integra a Rede Global de Bancos de Leite Humano e é considerada referência. “A rede global é reconhecida mundialmente como a maior rede de banco de leite do mundo. E no Brasil, o DF é considerado referência”, destacou. Segundo ela, a capital recebe profissionais de outros estados e até de outros países para treinamento. Nos bancos de leite é feita a pasteurização do material coletado, enquanto os postos realizam a coleta e o atendimento às mães. Considerado o alimento padrão ouro para a alimentação infantil, o leite humano é recomendado de forma exclusiva até os seis meses de vida. “Até os seis meses o bebê pode ser amamentado exclusivamente pelo seio materno, ele não precisa nem de água”, ressaltou. Quando a mãe do recém-nascido internado não consegue produzir o volume necessário, a doação se torna essencial. “Essa mulher que está doando leite, ela está salvando vidas. Um frasco com 300 ml pode alimentar até 10 bebês em um dia, já que os prematuros ingerem pequenas quantidades”, reforçou.
Os Bancos de Leite Humano (BLH) foram criados para qualificar a assistência neonatal em termos de segurança alimentar e nutricional. As unidades realizam a coleta, o processamento e a distribuição do leite doado, além de oferecer apoio especializado às mães. Mais informações sobre doação, mitos e verdades sobre amamentação e os endereços das unidades no Distrito Federal estão disponíveis no site Amamenta Brasília.