O diretor-executivo global da empresa Enel, Flavio Cattaneo, culpou as árvores por recorrentes interrupções no fornecimento de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo e afirmou que somente Jesus Cristo poderia resolver os apagões na capital paulista.
“Na nossa avaliação, não se trata apenas de um problema da Enel. Se esse tipo de arborização continuar, só alguém seria capaz de resolver, e não é um ser humano, é Jesus Cristo, porque não há como evitar apagões de outra forma”, disse na segunda-feira (23) o executivo, em evento para investidores em Milão, na Itália.
Segundo Cattaneo, “os cabos estão dentro das árvores, não perto ou ao lado” e que dessa maneira “é impossível impedir a interrupção do serviço”. Apesar disso, ele adiantou que diálogos estão sendo feitos com o poder público para “propor uma solução final para evitar esse tipo de problema.”
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), rebateu a declaração do diretor-executivo da Enel ao observar que as quedas de energia elétrica não têm relação com quedas de árvores. “Nem Jesus Cristo salva essa Enel. É muita cara de pau. Um deboche. O nível de incompetência é tão grande que, somado à capacidade de mentiras, chega a assustar. Mais de 80% dos locais que ficaram sem energia não tiveram queda de árvores”, falou o prefeito nesta terça-feira (24).
A prefeitura de São Paulo e o governo estadual vêm travando uma disputa contra a Enel nos últimos meses, especialmente após um apagão em dezembro de 2025, que deixou mais de 2,2 milhões de consumidores sem luz durante vários dias. O Procon-SP chegou a multar a empresa em R$ 14,2 milhões.
Com o aval do governo federal, a prefeitura, o governo do estado e o Ministério de Minas e Energia (MME) entraram com um pedido na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o encerramento do contrato com a Enel. A solicitação está sendo analisada dentro de um procedimento aberto pela agência em 2024 para apurar interrupções no fornecimento de energia elétrica na capital paulista.