Megaleilões impulsionam expansão de portos brasileiros com R$ 12 bi em investimentos

Empresas deixam de investir R$ 36,8 bilhões em portos privados desde 2013
Empresas deixam de investir R$ 36,8 bilhões em portos privados – Reprodução

Nos últimos três anos, o Brasil realizou 26 leilões no setor portuário, totalizando mais de R$ 15 bilhões em investimentos contratados. Desses, quatro megaleilões se destacam por ultrapassarem R$ 1 bilhão cada, concentrando R$ 12 bilhões em projetos localizados nas regiões Sul e Sudeste.

Essas iniciativas, promovidas pelo Governo Federal por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, visam superar gargalos históricos, integrar modais de transporte e promover a relação porto-cidade. O ministro Silvio Costa Filho enfatizou que os leilões portuários colocam a infraestrutura no centro da agenda de desenvolvimento do país, com projetos sólidos que atraem investimentos, geram emprego e fortalecem a logística nacional.

O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, destacou que esses leilões representam uma mudança estrutural no planejamento da infraestrutura portuária, com foco em eficiência operacional, previsibilidade regulatória e integração logística.

O primeiro megaleilão, o ITG02 no Porto de Itaguaí (RJ), prevê R$ 3,5 bilhões em investimentos ao longo de 35 anos. Arrendado pela Cedro Participações, o terminal de 348,9 mil m² terá capacidade para 20 milhões de toneladas anuais, consolidando o porto como polo para exportação de minério de ferro. A implantação deve gerar 2.800 empregos indiretos, além de 2.000 postos diretos e indiretos na operação.

Em São Paulo, o Túnel Santos-Guarujá, no Porto de Santos, é a maior obra de infraestrutura do Novo PAC, com R$ 6,8 bilhões em investimentos em parceria entre o Governo Federal e o Estado. Executado pela Mota-Engil, o primeiro túnel imerso da América Latina reduzirá o tempo de travessia de 50 para cinco minutos, com seis faixas, ciclovia e espaço para VLT. A obra impactará 720 mil pessoas e gerará cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos, fortalecendo a eficiência logística do maior porto da América Latina.

No Paraná, o canal de acesso ao Porto de Paranaguá inaugurou um novo modelo de concessão, com R$ 1,23 bilhão em investimentos por 25 anos. Realizado em outubro de 2025, o projeto inclui dragagem para aumentar o calado de 13,5m para 15,5m, permitindo navios maiores e ampliando a capacidade operacional. O contrato abrange dragagens periódicas, manutenção, sinalização e gestão do tráfego, garantindo segurança e eficiência.

Também em Paranaguá, três terminais (PAR14, PAR15 e PAR25) foram leiloados conjuntamente, com lances totais de R$ 855 milhões em outorga e investimentos de R$ 2,18 bilhões. O PAR14, arrematado pela BTG Pactual Commodities Sertrading, prevê R$ 1,01 bilhão, incluindo modernização e construção de píer, gerando mais de 1,6 mil empregos diretos e 3,4 mil indiretos.

O PAR15, vencido pela Cargill Brasil, receberá R$ 604,17 milhões para movimentar 4 milhões de toneladas anuais, com 180 empregos diretos em operação. Já o PAR25, do Consórcio ALDC (Louis Dreyfus Company e Amaggi), terá R$ 565,09 milhões, contribuindo para a expansão logística e escoamento da safra agrícola. As informações foram retiradas do Governo Federal.

T CSM

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