Dólar salta para R$ 5,26 com tensão no Oriente Médio

Dólar sobe para R$ 5,248 com indicação de Warsh ao Fed por Trump
Dólar sobe para R$ 5,248 com indicação de Warsh ao – Reprodução

O dólar comercial avançou 1,87% nesta terça-feira (3), encerrando vendido a R$ 5,261, o maior nível desde 26 de janeiro, quando estava em R$ 5,28. A cotação chegou a tocar R$ 5,34 por volta das 12h20, mas desacelerou durante a tarde.

O Banco Central anunciou dois leilões de linha, cada um de US$ 2 bilhões, mas cancelou a operação minutos depois, atribuindo o fato a um engano em teste interno.

No mercado de ações, o Ibovespa caiu 3,27%, fechando em 183.104 pontos, o maior recuo do ano. Na mínima do dia, o índice tocou 180.518 pontos, queda de 4,64%, atingindo o menor patamar desde 6 de fevereiro, quando estava em 182 mil pontos. Quase todas as ações do índice registraram perdas.

A instabilidade foi impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com reflexos no Líbano e em países do Golfo como Arábia Saudita, Catar e Kuwait. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito, elevando temores de desabastecimento global de energia.

Com o risco de interrupção na oferta, as commodities energéticas dispararam. O barril do petróleo Brent subiu mais de 4%, para US$ 81, após valorizar 10% no início da sessão. Na Europa, o gás natural avançou 22% no dia.

O mau humor se espalhou pelos mercados globais, com investidores migrando para ativos seguros como o dólar. O índice DXY, que mede a força do dólar ante divisas de economias avançadas, subiu 0,66%.

Bolsas na Ásia caíram, com Tóquio em -3,1% e Seul em -7,24%. Na Europa, as quedas superaram 3%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones recuou 0,83%, o S&P 500, 0,9%, e o Nasdaq Composite, 1,02%.

No cenário doméstico, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, apesar da desaceleração no quarto trimestre, com alta de apenas 0,1%. O resultado representa uma redução ante o crescimento de 3,4% em 2024, em linha com as expectativas do governo.

Diante do conflito, o Banco Central pode optar por corte de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic na reunião deste mês, contra expectativa anterior de redução de 0,5 ponto. Juros altos ajudam a conter o dólar, mas impactam o crescimento econômico.

Com informações da Reuters.

T CSM

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