O Ministério de Minas e Energia (MME) realizou, nesta quarta-feira (4/03), a 316ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que destacou bons volumes de chuvas em fevereiro nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte do Norte do país. Os índices ficaram acima da média nas bacias dos rios Grande, Paranaíba e São Francisco, conforme o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O cenário hidrológico melhorou em relação à reunião anterior, exceto na região Sul, onde as condições permanecem mais restritivas. As projeções de afluência para as bacias dos rios Grande e Paranaíba indicam situação mais favorável. O ONS reforçou a necessidade de monitorar o período chuvoso, minimizar a geração hidráulica no Sul para preservar o armazenamento e reduzir restrições de defluência mínima.
Para o atendimento de potência no Sistema Interligado Nacional (SIN), em cenários de alta demanda ou condições adversas, está prevista a utilização complementar de termelétricas, operação otimizada das hidrelétricas do Rio São Francisco e uso estratégico do reservatório de Itaipu.
A Secretaria Nacional de Energia Elétrica (SNEE) apresentou um balanço das ações de 2025 no âmbito do CMSE e lançou um novo painel para acompanhamento das condições de armazenamento do SIN, baseado na Curva de Referência de Armazenamento (CRef). A iniciativa visa ampliar a transparência e fortalecer o monitoramento preventivo da segurança energética.
Em fevereiro, um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e outros sistemas de verão resultaram em precipitação acima da média nas bacias mencionadas, enquanto as demais apresentaram volumes inferiores. A Energia Natural Afluente (ENA) ficou abaixo da média histórica em todos os subsistemas: 90% no Sudeste/Centro-Oeste, 52% no Sul, 94% no Nordeste e 62% no Norte, totalizando 82% no SIN.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) previu, para as próximas duas semanas, chuvas acima da média na bacia do São Francisco, cabeceira do Paraná e Tocantins. Na segunda quinzena de março, chuvas normais a acima do normal em Três Marias, Rio Grande, Paranaíba e cabeceira do Tocantins, mas abaixo da média no Sul.
Ao final de fevereiro, os armazenamentos equivalentes foram de 57% no Sudeste/Centro-Oeste, 40% no Sul, 72% no Nordeste e 68% no Norte, totalizando 59% no SIN. Para março/2026, as previsões hidroenergéticas indicam ENA de 80% no Sudeste/Centro-Oeste (cenários superior e inferior: 65%), 91% no Sul (41%), 105% no Nordeste (84%) e 74% no Norte (74%), com o SIN em 82% (68%, o 5º menor em 96 anos).
Na expansão, fevereiro de 2026 registrou 743 MW de capacidade instalada de geração centralizada, 347 km de linhas de transmissão e 1.125 MVA de transformação. Destaques incluem 581 MW do Complexo Solar Assu Sol (RN), 96 MW das UFVs Draco Solar 2 e 3 (MG) e 58,5 MW da EOL Ventos de São Rafael 10 (RN). Na transmissão, entrou em operação a LT 500 kV Medeiros Neto II – João Neiva 2 C-1 (BA/ES), com 283 km.
A Câmara de Comercialização de Energia (CCEE) reportou a liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP) de janeiro de 2026 em R$ 3,02 bilhões, com R$ 2,7 bilhões liquidados. Desses, R$ 499,18 milhões foram creditados à Conta de Energia de Reserva (CONER), e R$ 325,15 milhões inadimplidos.
Em exportações, janeiro de 2026 teve 151 MWmédios (112 GWh) termelétricos para a Argentina; fevereiro, 171 MWmédios (115 GWh). Não houve exportação hidrelétrica. Importações: zero em janeiro; 1,0 MWmédio (0,7 GWh) da Argentina em fevereiro.
Para a COP15, de 23 a 29 de março de 2026, em Campo Grande (MS), o CMSE ativou medidas de segurança via Núcleo de Segurança das Infraestruturas Críticas (SIC), deliberando aos concessionários locais providências para manter a confiabilidade do suprimento durante o evento.
O CMSE continuará monitorando o abastecimento e adotando medidas para garantir o suprimento de energia elétrica no país.