Atraso nos pagamentos
Paralisação vai afetar atendimentos eletivos entre segunda e quarta-feira (11). Casos de urgência e emergência serão mantidos
Maternidade Célia Câmara em Goiânia (Foto: Divulgação)
Médicos que trabalham no Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, em Goiânia, anunciaram uma paralisação com duração prevista de 48 horas a partir das 7h da próxima segunda-feira (9). Nesse período período, atendimentos eletivos serão suspensos, de modo que apenas serviços de urgência e emergência serão mantidos. A decisão foi tomada em assembleia do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), após relatos de atraso no pagamento de honorários e problemas estruturais na unidade.
Segundo o sindicato, o movimento foi aprovado em Assembleia Geral Extraordinária Permanente realizada na noite da última quarta-feira (03). A paralisação deve durar até as 7h do dia 11 de março e ocorre após, segundo os profissionais, tentativas de negociação sem resposta por parte dos responsáveis pela administração da maternidade.
Pagamentos em atraso
De acordo com o Simego, os médicos cobram o pagamento imediato de remunerações em atraso de honorários e melhorias nas condições de trabalho, incluindo a garantia de equipes completas e disponibilidade de materiais para atendimento. A entidade afirma que os atendimentos regulares só serão retomados totalmente após o cumprimento das reivindicações.
O sindicato informou que as demandas foram encaminhadas à Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, à organização social Sociedade Beneficente São José, responsável pela gestão da maternidade, e também a empresas terceirizadas ligadas ao serviço.
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Localizada na região Noroeste da capital, a maternidade é uma das principais referências da rede pública para atendimento obstétrico e neonatal pelo Sistema Único de Saúde na capital e em cidades da Região Metropolitana.
Histórico de reclamações
Entre 2021 e 2024, o Simego registrou diversas denúncias relacionadas a atrasos salariais, falta de profissionais e dificuldades administrativas. Em alguns momentos, médicos chegaram a suspender atendimentos ou ameaçar novas paralisações por motivos semelhantes.
Em fevereiro desse ano, seis meses após a última paralisação que afetou os serviços nas maternidades públicas de Goiânia, os médicos voltam a discutir a possibilidade de suspender novamente os atendimentos pelos mesmo motivos. Após uma negociação, a greve foi suspensa.
OS reforça ter feito pagamentos
A Sociedade Beneficente São José, gestora do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, informa que o pagamento à empresa médica responsável pela prestação dos serviços médicos encontra-se regular. Os médicos que atuam na unidade são sócios da empresa prestadora de serviços e, portanto, têm conhecimento das condições contratuais estabelecidas.
A instituição ressalta ainda que, até o momento, o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO) não disponibilizou a ata da assembleia mencionada em seus comunicados.
O atendimento permanece funcionando normalmente e organizado para garantir a assistência às gestantes, puérperas e recém-nascidos atendidos pelo SUS, com manutenção dos atendimentos e prioridade absoluta à segurança da população.
Secretaria nega atrasos
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia afirmou que não há atrasos nos repasses feitos às organizações sociais que administram as maternidades da rede municipal. Segundo a pasta, os pagamentos são realizados dentro dos prazos estabelecidos em contrato e não existem valores em aberto com as instituições gestoras.
A secretaria também informou que outras unidades da rede seguem funcionando normalmente, como o Hospital e Maternidade Dona Íris e a Maternidade Nascer Cidadão, que mantêm índices de ocupação próximos de 90%.
Ainda de acordo com o órgão, a situação da maternidade Célia Câmara está sendo acompanhada pela gestão municipal, que deve notificar a organização social responsável pela unidade sobre as denúncias apresentadas pelos profissionais.