Marcha das mulheres reforçam luta contra o feminicídio

Marcha das mulheres reforçam luta contra o feminicídio
Marcha das mulheres reforçam luta contra o feminicídio – Reprodução

Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher no mundo e no Brasil. A data celebra a luta histórica das mulheres por igualdade, direitos trabalhistas e voto feminino, como as greves e marchas realizadas em 1908, em Nova York, e o protesto na Rússia, com 90 mil operárias em greve pedindo “pão e paz” e melhores condições de trabalho, em 1917. Foram anos e mais anos de garra até a oficialização da data. Mas o que mudou de 1908 para o ano de 2026? Atualmente, alguns direitos foram conquistados, como o voto feminino e a participação nos plenários e em cargos políticos. Ainda assim, seguimos lutando por igualdade salarial, respeito e, principalmente, pelo direito de ser mulher e permanecer viva.

Quando se é mulher, aprende-se desde cedo que a luta pela sobrevivência é diária. No Brasil, em 2025, 1.568 mulheres foram mortas em razão do gênero, uma média de aproximadamente quatro assassinatos por dia. No Distrito Federal, 33 mulheres foram mortas no mesmo ano. O número já supera os registros do ano anterior, quando 23 feminicídios foram contabilizados em 2024, evidenciando o avanço da violência de gênero na capital.

Mais de 100 anos após as primeiras mobilizações que deram origem ao Dia Internacional da Mulher, a luta ainda ecoa na realidade atual: garantir que a mulher seja reconhecida e respeitada como sujeito de direitos, e não tratada como objeto.

Diante desse cenário, neste domingo (8), centenas de mulheres ocuparam as ruas de Brasília. O ato unificado do Dia Internacional da Luta das Mulheres acontece desde 2017 e, neste ano, se concentra em frente à Funarte. A professora de história Vilmara Pereira do Carmo, 47 anos, é uma das participantes da mobilização da Marcha Mundial das Mulheres. Para Vilmara, estar ali lembra que, apesar dos avanços conquistados ao longo das últimas décadas, ainda há muitos desafios para que a igualdade de gênero se torne realidade no país. Ela também destaca o alerta para o alto índice de feminicídios.

Na avaliação da professora, o enfrentamento da violência contra a mulher exige atuação em diferentes frentes, com foco principalmente na prevenção. “A gente defende a atuação em duas frentes: a prevenção, que passa pela educação contra o machismo, o racismo e todo tipo de discriminação, e também a punição para os casos de violência”, afirma. Ela também destaca a importância de políticas públicas de acolhimento às vítimas. “Depois que a mulher sofre violência doméstica, ela precisa de acolhimento. Os aparelhos públicos precisam estar preparados para atender essas mulheres. Existe a promessa de construção de quatro Casas da Mulher Brasileira aqui no DF, uma política criada no governo federal, mas que ainda não se concretizou na capital. Para que isso avance, é preciso que haja parceria efetiva entre o governo federal e os governos locais”, pontua.

Para a professora, a união entre mulheres e a organização coletiva são fundamentais para ampliar direitos e enfrentar desigualdades. “Nós não conseguiremos enfrentar as violências e as desigualdades sozinhas. É preciso se unir e se organizar. Foi essa organização que já nos trouxe até aqui e que vai nos levar ainda mais longe”, concluiu.

A enfermeira Marcela Vilarim de Maria, 50 anos, destaca a participação do sindicato da categoria. Segundo ela, a presença da enfermagem no ato busca chamar atenção para a realidade enfrentada pelas profissionais da área, que, em sua maioria, são mulheres. “A enfermagem é uma profissão eminentemente feminina e, por isso, também sofre violência de gênero diariamente, tanto dentro de casa quanto no ambiente de trabalho”, afirma.

De acordo com Marcela, episódios de agressão contra profissionais de saúde têm se tornado mais frequentes, especialmente em unidades de pronto atendimento, hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “Hoje a gente vê violência verbal e até agressões físicas. Há cinco ou seis anos quase não se ouvia falar disso. Agora o sindicato tem recebido um número crescente de denúncias”, relata. Ela explica que a situação está ligada à precarização da estrutura do sistema público de saúde, que gera frustração nos usuários e acaba direcionando a revolta contra os profissionais que estão na linha de frente do atendimento.

Para a enfermeira, a participação do sindicato na marcha também tem o objetivo de defender melhores condições de trabalho e valorização da categoria. “É uma luta para existir. Sendo uma categoria majoritariamente feminina, primeiro a gente precisa existir enquanto mulher para depois conseguir exercer a profissão com dignidade”, destaca. O movimento busca chamar atenção para a necessidade de mais investimentos na saúde pública e de políticas que garantam condições adequadas de trabalho para os profissionais da área. “Tudo passa por investimento e por vontade política. Sem estrutura e sem profissionais suficientes, quem está na linha de frente acaba sendo alvo da revolta da população”, conclui.

Mais do que uma data simbólica, o 8 de março permanece como um marco social e político. Em Brasília e em diversas cidades do país, mulheres seguem ocupando espaços públicos para lembrar que os avanços conquistados ao longo das últimas décadas ainda não garantiram a igualdade plena. E que a luta histórica das mulheres continua sendo, acima de tudo, pela garantia do direito de viver com dignidade e segurança.

T CSM

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