Futuro de um cabo submarino no Chile que desagrada aos EUA, primeiro desafio de Kast

Futuro de um cabo submarino no Chile que desagrada aos EUA, primeiro desafio de Kast
Futuro de um cabo submarino no Chile que desagrada aos – Reprodução

O primeiro desafio internacional para o presidente de extrema direita José Antonio Kast, que assumiu a presidência do Chile nesta quarta-feira (11), será definir o destino do projeto de cabo submarino de fibra óptica que busca unir o país à China.

A iniciativa nasceu para reduzir a dependência das rotas de dados de internet que hoje passam pela América do Norte, mas ficou presa na crescente rivalidade entre os Estados Unidos e o gigante asiático.

O governo de Donald Trump a considera uma potencial “ameaça” à segurança regional.

O projeto foi adjudicado em janeiro à empresa estatal China Mobile. E, embora a designação tenha sido anulada dois dias depois, Washington sancionou três altos funcionários da gestão do esquerdista Gabriel Boric (2022-2026), incluindo seu ministro dos Transportes, com a revogação de seus vistos para entrar nos Estados Unidos.

Com esse projeto, a China “se conectaria” com “o restante da América Latina, incluindo o Brasil, que é membro do Brics”, grupo que reúne também Rússia, Índia e África do Sul, acrescenta Frez.

Kast se encontra em meio a um cenário difícil, no qual tentará equilibrar a boa relação do Chile com a China, seu principal parceiro comercial, e os desejos do novo presidente de estreitar os laços com os Estados Unidos.

Nos dias que antecederam a troca de governo, a controvérsia em torno desse cabo gerou uma áspera fricção entre Boric e Kast.

O presidente eleito acusou seu antecessor de não compartilhar informações suficientes sobre a iniciativa e interrompeu abruptamente as reuniões prévias à transição de governo entre ambas as administrações, embora elas tenham sido retomadas posteriormente.

– “Um aviso” –

A China é o principal destino das exportações do país sul-americano.

O Chile vendeu em 2025 produtos — principalmente cobre, cerejas e lítio — por mais de 38 bilhões de dólares, um valor que superou em 6,4% o do ano anterior.

Segundo Aranda, as sanções inéditas contra os funcionários de Boric devem ser interpretadas como “um aviso” à administração entrante de Kast.

Ele explica que o novo presidente tenderá a se alinhar aos Estados Unidos, com os quais tem afinidade ideológica e que demonstram um interesse renovado pela América Latina.

O Chile deverá considerar “sair do eixo confrontacional”, afirma, e abrir-se a novos mercados para não depender tanto do comércio com a China.

– Sem Ásia –

O Chile busca com esse projeto acelerar o tráfego de dados. Atualmente é o sexto país com a internet de banda larga mais rápida do mundo, segundo o Speedtest Global Index.

Com a nova infraestrutura pretende fortalecer os serviços digitais, os centros de dados e o comércio eletrônico do país, áreas nas quais também já é líder regional.

A iniciativa é promovida desde o segundo governo do direitista Sebastián Piñera (2018-2022) para posicionar o país como uma ponte digital regional.

O Chile conta com pelo menos três cabos submarinos internacionais, todos conectados à América do Norte. Nenhum passa pela Ásia.

Agora está em construção uma infraestrutura de 14.800 quilômetros de extensão para ligar a cidade de Valparaíso, na costa central do Chile, a Sydney, na Austrália, chamada “Humboldt”. Ela é construída em associação com o gigante tecnológico Google, de capital norte-americano.

Especialistas citados pelo jornal Diario Financiero alertam que, se o projeto da estatal China Mobile não se concretizar no Chile, é provável que a potência asiática busque abrigo no Peru, o segundo maior receptor de investimentos chineses na América Latina.

T CSM

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