Paciente com tetraplegia reaprende a andar na Policlínica de Taguatinga

Paciente com tetraplegia reaprende a andar na Policlínica de Taguatinga
Paciente com tetraplegia reaprende a andar na Policlínica de Taguatinga | Imagem: Divulgação

A jornada de superação

Adriano Veras Sousa, 39 anos, está reaprendendo a falar e a andar na Policlínica de Taguatinga com o apoio de familiares e servidores da Secretaria de Saúde (SES-DF). A recuperação ocorre após o motorista ter sido internado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) em outubro de 2024 e desenvolvido um quadro de tetraplegia que o deixou sem movimentos do pescoço para baixo, consciente mas sem conseguir se comunicar.

A história do motorista começou após 12 dias com o intestino preso, quando deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Samambaia e foi encaminhado ao HRT para uma cirurgia de desobstrução. No entanto, o quadro clínico do paciente, então com 37 anos, apresentou piora inesperada, com perda gradual dos movimentos. Foi necessária a realização de traqueostomia para respiração, e ele sofreu paradas cardiorrespiratórias e edema cerebral. Era outubro de 2024.

Quando acordou, Adriano percebeu suas limitações. A única forma de se comunicar era emitir ruídos, o que permitiu à equipe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HRT entender que ele estava consciente. “Eu pensava na minha mãe. Na minha esposa. No meu filho. Eu pensava em como eu iria jogar bola com ele de novo. Pensava nas pessoas que me esperavam do lado de fora. Eu queria pedir perdão se eu tivesse feito alguma coisa de errado. Mas eu sabia que iria voltar. Eu não podia morrer e deixar meu filho sozinho”, relata.

Pequenas vitórias

No Natal e na noite de Réveillon, ele preferiu dormir. Os meses passaram e a vida voltou aos poucos. A experiência de comer a primeira comida pastosa e retomar os cuidados com a barba e os cabelos foram marcos na recuperação. Em março de 2025, recebeu a primeira visita do filho, João Miguel, então com 10 anos de idade. O menino contou que o Flamengo havia vencido o Vasco. “Eu nem lembro o placar. Eu sei que a gente ganhou. Eu contei para ele. E nós começamos a rir”, lembra o menino. Na época, o Flamengo venceu o Vasco da Gama por 2 a 1, de virada, pela semifinal do Campeonato Carioca, em partida disputada em 8 de março de 2025.

Reabilitação após a tetraplegia

Atualmente, a fala de Adriano já é praticamente normal. As mãos, ainda que não completamente estendidas, permitem que ele se alimente de forma autônoma, vá ao banheiro, escolha os seriados na televisão e até faça um Pix no celular. “É gratificante. Eu tenho gratidão aos profissionais que me ajudaram”, afirma.

O acompanhamento oferecido pela SES-DF se dá em duas frentes. Uma equipe no Hospital de Apoio de Brasília (HAB) investiga uma série de suspeitas de doenças genéticas ou autoimunes que podem ter desencadeado o quadro. Em paralelo, na Policlínica de Taguatinga, segue o processo de reabilitação. Morador de Samambaia, ele conta com pai, mãe, irmão, esposa e filho para acompanhá-lo em cada visita às unidades de saúde.

Resultados surpreendentes

Os resultados têm sido surpreendentes. Adriano foi submetido ao exame de eletroneuromiografia, procedimento que mede impulsos elétricos e a atividade muscular. “O exame mostrou que ele não tem nada de força e de movimentação, principalmente nas pernas. E então, por incrível que pareça, o Adriano foi ganhando força, apesar de o exame dele continuar a mostrar uma capacidade de ativação muscular muito ruim. Há aproximadamente duas semanas, conseguimos colocá-lo em pé, e ele andou alguns passos”, conta o fisioterapeuta Hudson Azevedo Pinheiro.

Com pós-doutorado na área e especializado em fisioterapia neurofuncional, o servidor da SES-DF não esconde a surpresa com a recuperação do paciente. “Estamos em processo de investigação diagnóstica”, afirma. A equipe, formada por servidores e residentes, já preparou talas que vão ajudar Adriano a caminhar.

Não é possível afirmar se algum dia Adriano vai andar mais que alguns passos, dirigir ou desenvolver o talento futebolístico do filho. Mas ele está em casa, vivo e ao lado da família.

*Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)

T LB

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