A pressão sobre Dorival Júnior não deve alterar sua postura no comando do Corinthians.
Internamente, o treinador mantém a convicção de que precisa se posicionar publicamente, mesmo quando isso contraria interesses da diretoria.
A reportagem apurou que essa postura foi definida ainda no momento de sua chegada ao clube.
Dorival entende que, pelo patamar que atingiu no futebol brasileiro, precisa ser transparente em suas declarações, especialmente após a passagem pela CBF, considerada frustrante.
A forma como deixou a seleção brasileira teve impacto direto nessa decisão. O treinador se incomodou com críticas recebidas e avaliou que foi exposto além do necessário.
Por isso, ao aceitar o desafio no Corinthians -mesmo cogitando um período sabático-, assumiu o compromisso pessoal de não atuar como escudo da diretoria.
Na avaliação de Dorival e de sua comissão técnica, o Corinthians representava o cenário ideal para reafirmar seu valor no mercado, sobretudo no Brasil. O objetivo foi atingido com os títulos conquistados pelo clube no período.
Ainda assim, o estilo mais direto nas entrevistas passou a gerar desgaste interno. Os frequentes pedidos por reforços acabaram expondo divergências com a diretoria, o que era visto como desnecessário por parte dos dirigentes, apesar de inicialmente tratado com naturalidade.
Declaração sobre André gera ruptura
O ponto de ruptura ocorreu após uma declaração pública em defesa da permanência de André. A manifestação interferiu em um negócio que já estava encaminhado verbalmente, gerando insatisfação entre os envolvidos, inclusive dentro da diretoria.
O episódio ampliou um cenário de desgaste que já existia nos bastidores e resultou na perda de respaldo do treinador junto à cúpula do clube, justamente em um momento de instabilidade da equipe.
Futuro depende de resultados imediatos
Mesmo diante da pressão, Dorival mantém o posicionamento de se expressar abertamente. O treinador entende que já entregou resultados relevantes e consolidou sua posição no mercado, o que sustenta sua postura atual.
Internamente, a avaliação é de que o desempenho recente pesa tanto quanto os resultados. A queda de rendimento, especialmente no aspecto ofensivo, tem gerado incômodo na diretoria.
Dessa forma, um novo tropeço -seja derrota ou até mesmo empate com atuação abaixo do esperado- pode representar o fim do ciclo de Dorival Júnior no comando do Corinthians.