Mais de um ano depois do prazo original, a Índia divulgou a atualização da sua meta climática. Aprovada pelo governo nesta quarta-feira (25), a nova NDC (sigla em inglês para Contribuição Nacionalmente Determinada) promete reduzir a intensidade de emissões de gases de efeito estufa em 47% até 2035, em comparação com 2005.
A terminologia usada considera o crescimento econômico. No caso indiano, permite que as emissões continuem crescendo, mas num ritmo mais lento. Esse índice era comumente adotado pelos países em desenvolvimento, porém, o balanço climático global, de 2023, incentivou essas nações a também adotarem reduções absolutas em seus planos nacionais.
O Brasil, por exemplo, que também é um país emergente entre os maiores emissores globais de carbono, usa a métrica das emissões absolutas em sua meta.
O anúncio era esperado em fevereiro de 2025, data em que quase nenhum país entregou sua nova NDC.
No texto em que divulga a atualização da NDC, o governo indiano afirma já ter cumprido com seu compromisso anterior, de reduzir a intensidade de emissões de seu PIB (Produto Interno Bruto) em 35% e de ter 40% de participação de energia não renovável em sua matriz elétrica até 2030.
“O país alcançou 52,57% de capacidade não fóssil (fevereiro de 2026) [de energia elétrica], cumprindo com sucesso a meta cinco anos antes do prazo, e agora a ambição foi elevada ainda mais, para 60% de participação de recursos energéticos não baseados em combustíveis fósseis na capacidade instalada de energia elétrica a ser alcançada até 2035”, diz o comunicado.
Os indianos também prometem capturar de 3,5 a 4 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa por meio de cobertura florestal e arbórea na próxima década.
“Os esforços de reflorestamento e restauração de ecossistemas continuam a contribuir para as metas de sumidouro de carbono da Índia, ao mesmo tempo em que apoiam os meios de subsistência rurais”, afirma o texto. O país prevê zerar suas emissões líquidas em 2070.
O coordenador de política internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, ressalta que a Índia foi o último grande emissor a entregar sua NDC.
“Sabemos que os países ricos estão dando para trás na própria ação climática e que o financiamento, crucial para países com muitos pobres, como a Índia, não veio. Sabemos que os EUA estão fazendo bullying com o governo [Narendra] Modi por mais fósseis”, pondera ele. “É verdade [também] que o país tem acelerado a adoção de energia renovável, e faz isso não por preocupações climáticas, mas porque é mais barato”.
“Mas em 2026, com o aquecimento global a poucos anos de estourar a meta de Paris, a NDC indiana só pode ser chamada de ambiciosa se comparada com ela mesma. Infelizmente não é assim que a atmosfera mede ambição”, avalia Angelo.
O ativista climático indiano Harjeet Singh, diretor-fundador da Satat Sampada Climate Foundation, afirmou que o plano do governo Modi é “um sinal claro de integridade e compromisso” num momento em que nações desenvolvidas recuam no tema.
“A nova NDC da Índia para 2031-2035 é uma prova de que o país reconhece a ação climática ambiciosa não apenas como uma obrigação moral, mas como um interesse nacional fundamental para seu crescimento econômico”, disse.
“A Índia pode acelerar ainda mais seus esforços internos se o mundo desenvolvido cumprir sua obrigação de fornecer financiamento climático adequado”, acrescenta Singh.
O ativista foi preso no início do ano e era investigado por usar fundos estrangeiros para promover uma agenda contra combustíveis fósseis.
“A Índia está internalizando a ideia de uma “economia verde” -onde a ação climática não é tratada isoladamente, mas sim integrada à estratégia econômica e de desenvolvimento mais ampla do país”, diz ele.