Mãe é absolvida após matar homem flagrado abusando criança de 11 anos em Minas Gerais

Em novo julgamento, Justiça de MG mantém condenação por estupro de menina de 12 anos
Em novo julgamento, Justiça de MG mantém condenação por estupro – Reprodução

O 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte (MG) absolveu nesta terça-feira (24) uma mãe que matou um homem flagrado enquanto abusava da filha de 11 anos da mulher. O Ministério Público a acusava de homicídio qualificado, destruição de cadáver e corrupção de menor. A tese acolhida pelos jurados, por 4 votos a 3, foi a de legítima defesa de terceiro.

Os jurados entenderam que a mulher de 42 anos reagiu para interromper a agressão contra a criança.

Segundo a advogada Elida Fábrica, que atuou na defesa, o homem morto era conhecido da família desde a infância e frequentava a casa. Na noite de 11 de abril de 2025, ele teria pedido para dormir no local após passar o dia consumindo bebida alcoólica.

De acordo com a defensora, a filha já havia relatado à mãe mensagens consideradas inadequadas enviadas por ele. “Quando ela entrou no quarto, ele estava sobre a criança, tampando a boca dela, com as calças abaixadas. Ela puxou ele e levou para a sala. Foi nesse momento que tudo aconteceu”, afirmou Fábrica.

A versão, segundo a defesa, foi corroborada pelo depoimento especial da menina, colhido com acompanhamento de profissionais.

A denúncia do Ministério Público afirma que a mãe teria dopado a vítima com clonazepam, esfaqueado e golpeado com um pedaço de madeira, cortado o órgão genital enquanto ele ainda estava vivo e ateado fogo no corpo, com a ajuda de um menor de idade.

O Ministério Público sustentou que o crime foi motivado por futilidade, praticado com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Durante o interrogatório, a ré afirmou que, em reação ao flagrante de abuso, arrastou o homem até a sala, pegou uma faca e o esfaqueou várias vezes. Ela descreveu que, na sequência, com a ajuda de um jovem que ouviu o barulho e entrou na casa, arrastou o corpo para uma área de mata próxima, onde ateou fogo.

Para a defesa, a reação ocorreu em um contexto de extremo abalo emocional. “Não se pode exigir de uma mãe, diante de uma cena como essa, autocontrole. Foi uma reação imediata para cessar a agressão”, afirmou a advogada.

A mãe negou em depoimento ter dopado o homem ou mantido relação sexual com ele naquela noite. De acordo com a defesa, o laudo confirmou que ele não tinha vestígios de remédio citado pela acusação no corpo.

A Promotoria não informou se recorrerá da decisão de absolvição.

Depois do crime, a mulher chegou a ser presa e permaneceu cerca de 11 meses detida. Inicialmente, havia obtido liberdade com uso de tornozeleira eletrônica, mas voltou à prisão após descumprimento da medida cautelar.

Durante o período em que esteve no sistema prisional, ela não conseguiu iniciar tratamento para um câncer de mama já diagnosticado, segundo a defesa.

Sem a presença da mãe, os filhos passaram a ser cuidados pela filha mais velha da mulher, de outro relacionamento, que assumiu a guarda dos irmãos menores.

Com a absolvição, a mulher foi colocada em liberdade e já retornou para casa. A defesa afirma que deve buscar a regularização da guarda dos filhos.

T CSM

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