Os investimentos diretos no país (IDP) recuaram US$ 2,4 bilhões em 12 meses, passando de US$ 78,3 bilhões em fevereiro de 2025 para US$ 75,9 bilhões em fevereiro de 2026. O saldo mensal revela um mês de fevereiro menos aquecido do que no ano anterior: enquanto em 2025 o mês registrou a entrada de US$ 10 bilhões, em 2026 os ingressos líquidos somaram US$ 6,8 bilhões, uma diferença de US$ 3,2 bilhões.
O IDP é considerado um termômetro da atratividade econômica do Brasil. Ao mesmo tempo em que a injeção de capital na economia produtiva apresentou queda, o interesse estrangeiro em ativos brasileiros aumentou US$ 6,7 bilhões de fevereiro de 2025 a fevereiro de 2026. O indicador vai no mesmo sentido da queda no déficit em transações comerciais, que caiu de 3,67% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,71%. O dado influencia na avaliação do país por agências de classificação de risco.
A balança comercial vive um momento de prosperidade, saindo de um déficit de US$ 1,1 bilhão em fevereiro de 2025 para superávit de US$ 3,5 bilhões em fevereiro de 2026. O Brasil também aumentou suas reservas em moeda internacional em US$ 6,7 bilhões.
Apesar dos indicadores internacionais positivos, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem mantido cautela no cenário nacional. Na última reunião, o colegiado reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, justificando que o corte tímido se deve não apenas às tensões entre Estados Unidos e Irã, que impactam o petróleo, mas a um “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal” e às “incertezas sobre a estabilização da dívida pública”.
Em meio aos riscos oriundos do conflito no Oriente Médio em pleno ano eleitoral, o Tesouro Nacional decidiu intervir na economia de forma inédita. O órgão decidiu não esperar o vencimento de títulos públicos e recomprou R$ 47 bilhões deles, a maior operação do gênero em mais de uma década, superando a que ocorreu durante a pandemia de Covid-19, em que R$ 43,6 bilhões em títulos públicos foram recomprados.