Falsa biomédica indiciada por usar nome de terceiros em Goiânia

A falsa biomédica Sheline Araújo foi indiciada pela Polícia Civil (PC) por falsidade ideológica, falsificação de produtos medicinais e exercício ilegal da profissão um mês depois de ter a clínica de estética interditada, em Goiânia. A autora usou nome de terceiros para comprar R$ 200 mil em insumos para o estabelecimento. Uma vendedora que abastecia a clínica também foi indiciada por falsidade ideológica.

A interdição da clínica onde Sheline atendia ocorreu em operação da corporação com a Vigilância Sanitária no dia 26 de fevereiro. O estabelecimento não tinha alvarás e funcionava de forma totalmente irregular. Na ocasião, a fiscalização apreendeu insumos com data de validade vencida, além de medicamentos para emagrecimento, como mounjaro. Sheline negou manipular os produtos no local.

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‘Biomédica’ e ‘enfermeira’ sem formação

O Mais Goiás teve acesso ao inquérito, que foi concluído na última terça-feira (24), o qual apontou o esquema supostamente usado pelas indiciadas. No documento, consta que Sheline não possui qualquer tipo de formação superior, sendo que ela mesma afirmou em depoimento não ser formada em enfermagem e que ainda está cursando biomedicina. 

A afirmação é contrária ao que a mulher alegou nas redes sociais, logo depois que foi alvo de operação em 26 de fevereiro. Na ocasião, ela usou o Instagram para se apresentar como enfermeira e afirmou que aguarda registro junto ao Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mas a corporação identificou que o diploma apresentado era falso.

Esquema por insumos

Para conseguir abastecer a clínica com insumos, Sheline usava o registro e dados pessoais de uma profissional sem o consentimento dela. Ao todo, a falsa biomédica comprou ao menos R$ 200 mil em produtos em nome de terceiros apenas de uma fornecedora, conforme o relatório policial. A suspeita atendia na clínica a cerca de um ano e quatro meses.

Clínica da biomédica foi interditada – (Foto: divulgação/PC)

Arrependimento após prisão

Em depoimento, Sheline afirmou que estava arrependida do crime e que não conhecia a verdadeira biomédica, tendo usado o nome da mulher em benefício próprio por sugestão da vendedora Amanda Almeida Galdino. Conforme a falsa biomédica, Amanda afirmou que era amiga da vítima e assinou três compras em nome da profissional – motivo pelo qual também foi indiciada. 

Sheline em publicação no Instagram após operação da PC – (Foto: reprodução/redes sociais)

“Ela nega ter feito o cadastro em nome da biomédica na empresa, mas alega que teriam lhe oferecido a possibilidade de compras pela vendedora Amanda em nome da biomédica. Afirmou que assinou em nome da biomédica a pedido de Amanda e informou que Amanda se responsabilizaria por qualquer problema proveniente da fiscalização do conselho de biomedicina”, diz trecho do depoimento de Sheline registrado na PC.

Venda ilegal é ‘comum’

Amanda, por outro lado, negou as afirmações de Sheline e também tentou imputar os crimes à falsa biomédica, conforme depoimento. Segundo ela, o cadastro em nome da vítima foi feito a pedido da própria biomédica em abril de 2025, após elas se conhecerem em outras empresas.  

No entanto, afirma que realizou as compras sem o consentimento da vítima e que agiu a pedido de Sheline. Amanda escancarou ainda que é comum na área de estética vender produtos para terceiros com o cadastro de outros profissionais sem a prévia autorização ou consentimento.

A vendedora contou à PC que o “proprietário da empresa tinha conhecimento de todas as vendas realizadas para Sheline no cadastro da biomédica. O responsável técnico também tinha conhecimento”. Os dois, porém, não foram indiciados.

O Mais Goiás entrou em contato com Sheline para que se posicionasse, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A defesa de Amanda não foi localizada.

A investigação teve início após a vítima procurar a PC para denunciar o crime, depois de ser advertida pelo Conselho Regional de Biomedicina devido a compra de insumos. À corporação, ela informou não conhecer a clínica ou Sheline.

“Ela não tem CNPJ. Pode responder por falsidade ideológica, crimes financeiros, crimes sanitários e, ainda, exercício ilegal da profissão”, afirmou o delegado Diogo Luiz Barreira ao Mais Goiás no dia da operação.

“Há seis meses ela compra medicamentos em nome dessa biomédica. Ela [Sheline] tinha todos os dados dela [biomédica], usava o nome dele, assinava em nome dela”, concluiu.

T CSM

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