Dólar e Bolsa fecham em alta com Galípolo e exterior em foco

O dólar fechou em alta de 0,14% nesta segunda-feira (20), cotado a R$ 5,245, com investidores repercutindo falas do presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, sobre a trajetória da taxa de juros básica do país, a Selic.

Novos desdobramentos da guerra no Oriente Médio também nortearam as negociações. Sem uma trégua no horizonte próximo, investidores têm apostado em ativos avaliados como seguros, como a moeda norte-americana. A valorização nesta sessão foi global: o índice DXY, que a compara a uma cesta de seis divisas fortes, avançou 0,36%, a 100,51 pontos.

Na Bolsa brasileira, o clima foi de apetite. O Ibovespa chegou a subir até 184 mil pontos pela manhã, em disparada de mais de 1,5% em meio à retomada dos fluxos de estrangeiros para mercados melhores posicionados para enfrentar as adversidades da guerra.

A cautela, porém, voltou a aparecer ao longo do dia e diminuiu a euforia inicial. A Bolsa fechou com ganhos de 0,52%, a 182.514 pontos.

O destaque da cena doméstica foi a participação de Galípolo em evento do Banco Safra pela manhã. O presidente do BC saiu em defesa da postura adotada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nas últimas decisões de juros.

Segundo ele, a manutenção da taxa Selic em patamares elevados criou uma “gordura” que permitiu que o colegiado iniciasse o ciclo de afrouxamento na reunião deste mês mesmo em meio à disrupção econômica causada pela guerra no Irã. Esse mesmo fator, afirmou ele, possibilita que o Copom aguarde os próximos desenrolares do conflito para decidir sobre o rumo dos juros.

“Agora, mais do que nunca, temos de separar o ruído do sinal. Isso será ainda mais importante para guiar as reações que o BC deve ter. O BC sempre vai continuar agindo de forma serena e parcimoniosa”, afirmou ele, também reafirmando que é “normal” que a autarquia esteja mais inclinada para o lado conservador.

Galípolo ainda repetiu que o BC “é mais transatlântico do que jetski” ao apontar que não deve fazer movimentos bruscos ou extremados na condução da taxa de juros.

O conflito no Oriente Médio tem pautado decisões de política monetária globalmente. Com o bloqueio do estreito de Hormuz na costa iraniana, o preço do barril do petróleo disparou 50% desde o início dos ataques em meio a temores de choque de oferta.

O canal marítimo é a via por onde passam 20% de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo.

Com a commodity em disparada, o repasse para os combustíveis não deve tardar -e os temores são de que, caso um cessar-fogo não aconteça em breve, a escalada nos preços cause um repique inflacionário em algumas das principais economias globais, forçando políticas de juros mais restritivas em um
momento em que grande parte dos bancos centrais já estava avançada nos ciclos de afrouxamento.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país está em negociações para encerrar o conflito. Mas reiterou aviso para que Teerã abra o estreito, ou corra o risco de sofrer ataques a seus poços de petróleo e usinas de energia. Trump também ameaçou atacar as usinas de dessalinização que fornecem água ao Irã.

Já o Irã qualificou as propostas de paz dos EUA como “irrealistas, ilógicas e excessivas” e lançou mais mísseis contra Israel.

Neste cenário, o petróleo tipo Brent voltou a subir nesta sessão e bateu US$ 113 o barril. “Há predominância de fluxos defensivos, com parte dos investidores migrando para ativos considerados mais seguros”, diz Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas.

A conjuntura econômica global já afeta as expectativas de inflação no país. Segundo o boletim Focus desta segunda, a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu de 4,17%, da semana passada, para 4,31%.

“Diante desse cenário, aumentam as apostas de que o Banco Central adote um ritmo mais cauteloso no processo de corte de juros nos próximos meses”, diz Gusmão.

Mas, no geral, avaliação é que o cenário segue construtivo para o Brasil. “Dentro dos emergentes, a América Latina funciona como um ‘porto seguro’ e, dentro da região, o Brasil está melhor posicionado. Esses fluxos têm contribuído para que o país esteja entre os mercados com melhor desempenho tanto no acumulado do ano quanto no mês”, disse o J.P.Morgan.

Ainda não há sinais de que o conflito esteja perto do fim. Na sexta-feira, um ataque a uma base aérea na Arábia Saudita feriu 12 soldados americanos e danificou uma aeronave de vigilância E-3 Sentry dos EUA, em um sinal de que o Irã não está perto de concordar com uma trégua.

Rebeldes houthis no Iêmen também dispararam mísseis contra Israel, ameaçando uma nova fase de escalada que analistas disseram poder agravar a crise energética global.

Trump segue afirmando que conversas indiretas entre os EUA e o Irã por meio de emissários paquistaneses estão progredindo bem, mesmo sem a confirmação de Teerã. Ele estabeleceu 6 de abril como prazo para o país persa aceitar um acordo encerrando a guerra ou enfrentar ataques americanos ao seu setor energético.

No domingo, o republicano disse, em entrevista ao jornal Financial Times, que quer “tomar o petróleo do Irã” e que poderia enviar soldados para a ilha de Kharg, por onde a maior parte da commodity é exportada no país persa.

Ele tem reforçado as forças americanas na região, com o Pentágono ordenando o envio de 10 mil soldados treinados para tomar e manter território. Cerca de 3.500 soldados desembarcaram na sexta-feira, incluindo aproximadamente 2.200 fuzileiros navais.

“Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, disse Trump ao jornal britânico. “Isso também significaria que teríamos que ficar lá [na ilha de Kharg] por um tempo.”

T CSM

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