ANP abre consulta pública para ouvir setor sobre subvenção ao diesel

CNA pede aumento de biodiesel no diesel para mitigar alta de preços
CNA pede aumento de biodiesel no diesel para mitigar alta – Reprodução

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) abriu nesta quinta-feira (2) uma consulta pública sobre as regras da subvenção ao óleo diesel criado pelo governo para tentar conter os impactos da escalada do petróleo após o início da guerra no Irã.

Na consulta, que vai durar cinco dias, o setor espera esclarecer dúvidas sobre o pagamento do subsídio de R$ 0,32 por litro anunciado no dia 12 de março, mas ainda sem adesão das principais distribuidoras de combustíveis do país.

Como a reportagem informou, Vibra, Ipiranga e Raízen decidiram ficar de fora do primeiro período da subvenção, encerrado na terça (31), alegando incertezas sobre as regras para o pagamento do subsídio. A decisão das distribuidoras preocupa o governo, já que reduz a eficácia do programa.

As três empresas dominam cerca de dois terços do mercado de diesel. Elas compram a maior parte do produto da Petrobras, que aderiu à subvenção, mas importam uma parcela sem o desconto concedido pelo governo.

A audiência pública vai discutir a fórmula de reajuste do preço máximo de venda do diesel para empresas que quiserem receber a subvenção, aprovada pela diretoria da ANP há uma semana. O setor, porém, espera abertura para debater regras do programa.

Há dúvidas sobre como serão feitos os pagamentos, sobre a fiscalização dos preços praticados e sobre as contrapartidas esperadas pelo governo. Um dos principais desafios, diz uma fonte, é que o valor do subsídio é calculado a cada mês sobre vendas realizadas no mês anterior.

As empresas querem ter certeza de que os ressarcimentos serão pagos sem contestações antes de iniciar repasses do desconto à parcela do diesel importado aos postos. Alegam que até hoje há discussões na Justiça sobre a subvenção de 2018.

Reclamam ainda da ofensiva do governo contra preços abusivos, defendendo que cria um ambiente de insegurança jurídica sobre o pagamento futuro da subvenção em caso de autuações sobre produtos vendidos com o desconto.

Nesta quinta, em entrevista ao entregar o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que o caminho para atrair essas companhias é o diálogo.

“As distribuidoras ficaram com dúvida sobre metodologia, à medida que dou um subsídio, tem que ter contrapartida. […] Qual é a orientação do governo? Diálogo, esclarecer e buscar entendimento com as distribuidoras”, afirmou.

T CSM

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