Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
*Por Duda Barreto, Isabel Villela e Mariana Mazzaro
Mais de um ano depois da privatização da Rodoviária do Plano Piloto, no Centro de Brasília (DF), e proibição de permanência de pessoas em situação de rua no local, representantes do governo federal e do Distrito Federal e também de organizações não-governamentais buscam reduzir os impactos que a medida ocasionou para os mais vulneráveis.
A pesquisadora Dayanne de Mendonça entende que mudanças urbanas desse tipo precisam considerar também o impacto social, especialmente sobre trabalhadores informais e pessoas em situação de vulnerabilidade que dependem desses espaços para sobreviver.
Avaliação
A pesquisadora avalia que o governo federal desenvolveu e acompanha políticas públicas voltadas à população em situação de vulnerabilidade social, com ênfase no monitoramento e avaliação dos indicadores de saúde.
Segundo ela, o governo tem discutido alternativas para minimizar os impactos da retirada dos camelôs.
“Entre as possibilidades, está a de realocação desses trabalhadores para outras áreas comerciais autorizadas, processos de formalização para quem desejar trabalhar legalmente como ambulante e a inclusão em programas sociais e de qualificação profissional”, afirma.
A ideia, segundo a pesquisadora, é oferecer caminhos para que as pessoas possam reorganizar suas atividades e garantir novas fontes de renda.
“Diante dessa tentativa, não é garantia que todos consigam se formalizar”, disse. A especialista também lamentou o crescimento da quantidade de pessoas em situação de rua.
“Para além disso, o Ministério da Saúde atua para a população de rua principalmente através da ampliação das equipes de Consultório na Rua (que tem meta de 600 equipes no Brasil até 2026), oferecendo atendimento itinerante de saúde”, acrescentou a especialista.
“Ações contínuas”
O governo do Distrito Federal, por outro lado, argumentou que atua para minimizar os impactos da privatização da rodoviária. Desde março de 2024, segundo foi divulgado pela imprensa, o secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, disse que o governo tem ações contínuas e diárias na rua.
O 2° Censo Distrital da População em Situação de Rua do DF estima que cerca de 3.521 pessoas vivem em situação de vulnerabilidade no Estado, um aumento de 19,4% desde a última pesquisa realizada em 2022.
Situação agravada
Uma das ONGs que tem atuado para minimizar os impactos sobre os mais vulneráveis é a ONG da Rua. Segundo a presidente da entidade, Anna Carolina dos Santos, a situação ficou mais agravada após o período de pandemia.
“Antes da pandemia, já havia um número considerável de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, e devido ao cenário do país, onde tudo estava fechado, muitas pessoas perderam emprego e renda”.
A partir disso, foi necessário ampliar a entrega de mantimentos. As entidades que também abrigam pessoas em situação de rua têm recebido pessoas diariamente. “São homens, em sua maioria negros, entre 29 e 35 anos de idade”, afirma Anna Carolina dos Santos. A ONG funciona integralmente com apoio de doações de pessoas ou empresas.
*Supervisão de Luiz Claudio Ferreira e Vivaldo de Sousa