Bolsa recua forte com negociações entre EUA e Irã em foco; dólar cai

Wall Street reverte perdas após falas de Trump sobre guerra no Irã; Bolsas na Europa e na Ásia caem
Wall Street reverte perdas após falas de Trump sobre guerra – Reprodução

A Bolsa recua forte nesta quarta-feira (22), com novos ataques do Irã a embarcações no estreito de Hormuz e as incertezas sobre as negociações no Oriente Médio pressionando os ativos de risco.

O movimento ocorre apesar de os EUA terem anunciado, na terça-feira (21), a prorrogação do cessar-fogo com o Irã por prazo indeterminado, enquanto investidores adotam uma postura mais cautelosa.

Por volta das 12h13, a Bolsa recuava 1,33%, aos 193.511 pontos, apesar do avanço das ações do setor petrolífero.

No mesmo horário, a moeda norte-americana caía 0,16%, cotada a R$ 4,965. Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 4,955.

O Irã atacou navios de carga no estreito de Hormuz nesta quarta-feira (22), no primeiro dia da segunda prorrogação do cessar-fogo feito pelo presidente Donald Trump na guerra que promoveu com Israel contra a teocracia islâmica.

A Guarda Revolucionária iraniana confirmou ter atacado e tomado dois navios de contêineres junto a sua costa em Hormuz: o MSC Francesca, de bandeira panamenha, e o Epaminondas, que navega sob as cores da Libéria. Ambas as embarcações foram atingidas por tiros, mas ninguém se feriu.

Segundo a UKMTO, agência de monitoramento naval da Marinha britânica, o tráfego de navios na região segue extremamente perigoso devido às ações do Irã e também ao bloqueio naval imposto aos portos da teocracia pelos Estados Unidos

Para Márcio Rialba, head da mesa de operações da StoneX, embora o cessar-fogo seja positivo, o cenário ainda permanece incerto devido a falta de avanço nas negociações. “Incidentes no estreito de Ormuz ainda impactam na volatilidade dos mercados e gera uma certa ansiedade por parte dos investidores e mercado como um todo”.

Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, afirma que esse tipo de conflito prolongado sem resolução tende a aumentar volatilidade dos ativos. “Mesmo que a Bolsa ensaie uma recuperação no curto prazo, ela permanece altamente sensível a questões geopolíticas, em um ambiente de visibilidade reduzida e prêmio de risco elevado”.

O presidente Donald Trump anunciou na terça-feira a prorrogação do cessar-fogo com o Irã. Em publicação na rede Truth Social, Trump não estabeleceu um novo prazo, afirmando apenas que a trégua será estendida até que o Irã apresente uma proposta e as negociações com o país sejam concluídas.

“Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado, o que não é inesperado, e a pedido do marechal Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes possam apresentar uma proposta unificada”, disse Trump.

Após uma ligeira queda com o anúncio de Trump na terça (21), o preço do barril do tipo Brent para contratos futuros voltou a ficar em torno de US$ 100 com os ataques desta quarta.

Neste cenário, ações da Petrobras, Brava e PetroRecôncavo avançam 0,90%, 0,78% e 3,51%, respectivamente.

O cenário geopolítico tem sido o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nas últimas semanas. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.

No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou, o que fez com que o dólar rompesse o piso de R$ 5 e se mantesse abaixo da marca pela primeira vez desde 2024.

O Brasil se valoriza neste contexto pela distância em relação ao conflito e pelo diferencial de juros com os EUA.

Segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, economistas consultados pelo BC (Banco Central) veem a taxa básica de juros, a Selic, terminando este ano em 13% ao ano. A taxa hoje é de 14,75%.

Com a Selic no maior patamar em quase duas décadas e a taxa dos Estados Unidos na banda entre 3,5% e 3,75%, investidores aproveitam da diferença para apostar no “carry trade”.

Nessa estratégia, investidores internacionais captam recursos em países de juros baixos para aplicar em economias com taxas mais elevadas, como o Brasil.

Segundo dados da B3, o saldo de investimento estrangeiro foi de R$ 68 bilhões até 10 de abril -superior ao fluxo de 2025 inteiro.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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