Brasileiro morre após ataque de drone na guerra da Ucrânia, diz família

Um brasileiro de 23 anos que se alistou para lutar na guerra da Ucrânia morreu em um ataque de drone no país, informaram familiares à reportagem.

Jardel Sipriano Caetano viajou para a Ucrânia no fim de janeiro de 2026 a contragosto da família. “Minha mãe aconselhou muito ele a não ir, mas ele foi escondido. Quando a gente soube, já tinha uma semana que ele estava lá”, afirmou Ana Paula Caetano, prima do jovem, à reportagem. Jardel ficou órfão aos cinco anos e desde então é criado como filho pela tia, mãe de Ana Paula.

O brasileiro era natural de São Mateus, no Espírito Santo, e morreu durante a sua primeira missão, que começou em 12 de abril. Segundo Ana Paula, após chegar ao país, Jardel passou por um período de treinamentos. A última vez que ele falou com a tia foi no dia 11 daquele mês, antes de embarcar para a primeira missão oficial. “Ele falou que estava muito tenso, que era a primeira vez que eles iam para o combate”, recorda.

No dia 19 de abril, o capixaba enviou um áudio para a prima dizendo que tinha sido ferido e pedindo que ela orasse por ele. A família conviveu com dez dias de incertezas até ser formalmente informada por um oficial sobre a morte dele. Nesses dez dias, eles receberam informações conflitantes, de que o brasileiro não corria risco de morrer e de que havia ficado preso em um bunker.

“A gente estava vivendo um pesadelo, porque não tínhamos notícias. Só me falaram da morte dele no dia 29 de abril. Me ligaram dizendo que o soldado Jardel tinha sido tombado”, afirma Ana Paula.

Quando recebeu a notícia da morte do primo, Ana Paula soube que ele saiu do bunker onde estava ferido, mas foi abatido por um drone. Segundo ela, o soldado decidiu parar para ficar ao lado do corpo de um amigo que tinha sido abatido. “Os colegas chamaram ele, mas ele não conseguiu sair do lado do amigo morto. Por isso que para mim ele foi um herói”, afirmou a prima.

Os militares não conseguiram recuperar o corpo do brasileiro. A família foi informada de que o consulado deve entrar em contato com eles em até seis meses para a emissão de uma certidão de óbito. A expectativa é que a família consiga ao menos trazer de volta os objetos de Caetano.

“O oficial que deu a notícia da morte dele disse que eles não conseguem ir até o local para recuperar o corpo. Essa é a nossa maior dor. O corpo fica lá. Onde o corpo caiu, o corpo fica. Eles não conseguem ir até lá porque é uma área muito perigosa, com muitos drones”, diz Ana Paula à reportagem.

A reportagem procurou o Ministério das Relações Exteriores para saber se o órgão está em contato com a família do brasileiro. O espaço será atualizado se houver posicionamento.

Até abril, o Itamaraty confirmou a morte de 30 brasileiros e o “desaparecimento em combate” de outros 64 na guerra da Ucrânia. O balanço é feito com base nos dados confirmados pela Ucrânia e pela Rússia sobre o conflito.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress