Estudo detecta mercúrio e chumbo em caranguejos-uçá no Paraná

Pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) identificaram mercúrio e chumbo em caranguejos-uçá monitorados em manguezais do litoral do Paraná. Os animais, segundo a pesquisadora Cassiana Baptista Metri, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), aparentavam “vida normal”, apesar da presença dos contaminantes.

O estudo também encontrou zinco, manganês e magnésio, elementos considerados importantes para o organismo humano. No entanto, os resultados levantaram preocupação com a presença de mercúrio e chumbo, que não são desejáveis. A pesquisadora informou que a presença desses contaminantes não foi constante, variando conforme o local e a época do ano.

Cassiana afirma que ainda são necessários mais estudos para avaliar possíveis impactos à saúde humana. Segundo ela, o consumo do caranguejo-uçá na região é tradicional e ocorre de forma localizada, principalmente fora do período de defeso, no verão.

A pesquisadora também levanta hipóteses para entender como os crustáceos lidam com os contaminantes. Uma delas é a possibilidade de eliminação por meio da carapaça, que é trocada anualmente. Outra é a relação com a base alimentar do caranguejo, composta por folhas do mangue ricas em tanino, que poderia ter efeito protetor.

As pesquisas integram as ações do Rebimar no litoral paranaense, onde o programa monitora a saúde do mangue e de sua fauna. O projeto é desenvolvido pela Associação Mar Brasil e, desde 2009, conta com patrocínio voluntário do Programa Socioambiental da Petrobras.

T CSM
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