Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
*Por João Roberto Delattre e Lucas Soares
A presidente do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco disse, nesta quinta (28), que a desinformação se espalha por causa das emoções exacerbadas e relações de confiança. Ela afirma que isso explica, por exemplo, porque as pessoas podem confiar mais nos parentes e conhecidos que trazem uma condição de pertencimento do que em veículos de informação.
“Crenças e ideologias superam fatos”, diz a pesquisadora
Informação fabricada e inverdades, as chamadas fake News, são uma forma de desacreditar o jornalismo profissional. Justamente o jornalismo quem deve combater a desinformação por meio do método de apuração e checagem .
“Pará combater a desinformação é preciso o ceticismo saudável”, afirmou.
Patrícia Blanco esteve no 2º Festival de Jornalismo do Prêmio Engenho, realizado na manhã desta quinta-feira (28), no auditório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A palestra debateu o papel do jornalismo no combate às fake news e reuniu estudantes e professores de diversas faculdades do Distrito Federal. Ela, que também é presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, destacou que o jornalista precisa ter compromisso com a apuração, a responsabilidade e a transparência das informações.
Durante sua fala, a especialista afirmou que a desinformação cresce principalmente através das relações de confiança e do compartilhamento impulsivo de conteúdos sem verificação. Para ela, o trabalho jornalístico precisa ir na contramão desse cenário, com checagem rigorosa e investigação constante.
“O jornalista precisa incomodar, fazer checagem, ser o ‘chato’ da fonte para conseguir produzir uma matéria autêntica.”
Além da apuração, Patrícia ressaltou a importância de um jornalismo acessível e didático para o público. Segundo ela, o profissional da comunicação deve explicar e traduzir informações de forma clara, ajudando a população a compreender temas complexos.
“O jornalista fala para uma audiência que não tem o mesmo entendimento. Ser didático é crucial. O jornalista não tem compromisso com o erro, ele tem compromisso com o acerto.”
Ao longo da palestra, também foram debatidos os motivos que levam pessoas a compartilharem notícias falsas, como manipulação, lucro e influência. Patrícia avaliou as fake news como uma espécie de “clickbait”, associando a prática ao sensacionalismo e à divulgação de informações sem contexto ou compromisso com a verdade.
No encerramento, a especialista reforçou a importância do jornalismo para a sociedade e para a democracia, além de aconselhar os futuros jornalistas a terem paciência e responsabilidade durante o processo de apuração.
“Leia, releia, questione e busque informações completas, mas nunca publique algo com receio. O jornalismo é, será e sempre vai ser de extrema importância para a cidadania e para a defesa da democracia.”
*Supervisão de Luiz Claudio Ferreira