Ações do Grupo Pão de Açúcar caem mais de 9% com temores sobre balanço

Ações do Grupo Pão de Açúcar caem mais de 9% com temores sobre balanço
Ações do Grupo Pão de Açúcar caem mais de 9% – Reprodução

As ações do GPA (Grupo Pão de Açúcar), que controla a rede de supermercados de mesmo nome, tombaram e fecharam em queda de mais de 9% nesta quinta-feira (19), com analistas mais céticos em relação ao balanço da empresa, que será divulgado na terça (24).

Durante o dia, os papéis chegaram à mínima de R$ 2,94, queda de 12,5%. No final do pregão, as ações se recuperaram e fecharam o dia em baixa de 9,82%, a R$ 3,03. No ano, acumulam queda de 12%, segundo dados da plataforma CMA.

A empresa foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

Segundo analistas, há um movimento de redução de posição que pressiona as ações. “Nas prévias, o mercado já identifica um nível de endividamento acima do considerado confortável, além de um processo de reestruturação ainda visto como incerto. Diante disso, investidores tendem a reduzir risco antes da divulgação dos resultados”, diz Tales Barros, diretor de renda variável da W1 Capital.

No fim de 2025, o GPA anunciou um plano de corte de custos, despesas e investimentos para 2026, prevendo redução dos desembolsos para entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões.

No terceiro trimestre de 2025, a empresa concluiu a segunda etapa de um processo de simplificação da estrutura administrativa, que resultou no corte de 700 empregos.

Para Barros, há também um receio setorial após o Assaí registrar lucro líquido ajustado de R$ 347 milhões no quarto trimestre de 2025, valor 26,8% inferior ao apurado no mesmo período de 2024.

“Após a divulgação do balanço do Assaí, permanece uma revisão mais cautelosa sobre o setor alimentar como um todo, diante da expectativa de desaceleração do consumo”, afirma.

Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, também vê o setor pressionado e destaca o receio em relação ao balanço. “O mercado parece antecipar um resultado fraco na próxima semana, mantendo ceticismo quanto à geração de caixa, ao nível de alavancagem, ao crescimento de vendas abaixo da inflação e ao ambiente de consumo ainda pressionado.”

Há ainda rumores de que um acionista minoritário teria se desfeito de parte ou da totalidade da participação. “Como se trata de uma ação com menor liquidez, esse movimento acaba pressionando bastante o preço”, diz Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos.

“Quando o papel cai com mais força, surgem especulações de que possa haver algo mais estrutural. No entanto, a informação disponível até agora indica que o movimento decorre principalmente da venda desse minoritário –ou seja, uma dinâmica de oferta e demanda em um ativo pouco líquido, e não de um fato novo relevante.”

T CSM

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