O conglomerado AES Andes, subsidiária chilena da americana AES Corporation, planejava desenvolver um campo de 3.000 hectares no Deserto do Atacama, próximo a Paranal (norte do Chile). Através do chamado projeto INNA, a empresa buscava gerar energia solar e eólica, além de produzir hidrogênio verde e amônia verde.
O Observatório Europeu do Sul (ESO) denunciou a poluição luminosa do projeto, que poderia prejudicar a observação do céu.
“Devido à sua localização prevista, o projeto representaria uma séria ameaça aos céus mais escuros e límpidos da Terra e à operação das instalações astronômicas mais avançadas do mundo”, disse Xavier Barcons, diretor-geral do ESO.
A retirada formal da iniciativa entrou em vigor 17 dias após a AES Andes anunciar, no final de janeiro, que estava abandonando o projeto, na sequência de meses de críticas da comunidade astronômica internacional.
O projeto iniciou sua avaliação em dezembro de 2024 e previa um investimento de 10 bilhões de dólares (51,8 bilhões de reais, na cotação atual). A AES Andes concentrará seus esforços em seu portfólio de energias renováveis e armazenamento de energia, segundo comunicado divulgado no início de fevereiro.
Entre as instalações potencialmente afetadas estava o Observatório Paranal, localizado a 1.200 quilômetros de Santiago e a uma altitude de 2.635 metros, longe da poluição luminosa das grandes cidades.
Essa vantagem proporciona condições atmosféricas únicas, que o tornam um dos observatórios mais produtivos do mundo. Também seria afetado o Very Large Telescope (VLT) do ESO, composto por quatro telescópios individuais, que forneceu a primeira imagem de um exoplaneta em 2004.
O projeto empresarial também colocou em risco o funcionamento adequado do Extremely Large Telescope (ELT), um projeto colossal com conclusão prevista para 2028.