Argentina é a primeira equipe a não finalizar no tempo normal de uma final de Copa do Mundo

Natália Santos e Eduardo Marini
Folhapress

A Argentina é a primeira equipe a não conseguir uma finalização no tempo normal de uma final de Copa do Mundo, segundo dados do Sofascore.

Antes do recorde negativo na partida contra a Espanha, neste domingo (19), a pior marca era dos próprios argentinos, que finalizaram apenas uma vez na final de 1990, vencida por 1 a 0 pela Alemanha.

Preocupada com o envolvente toque de bola espanhol, a Alviceleste jogou completamente recuada, esperando erros para contra-atacar, sem sucesso algum.

A equipe foi tão defensiva que, no primeiro tempo, cometeu mais faltas (9) do que acertou passes no último terço do campo (7) —o trecho mais próximo do gol adversário.

O primeiro chute argentino saiu apenas aos 116 minutos, na prorrogação: arremate de Messi bloqueado. O segundo saiu aos 121min, de Giuliano Simeone. Nenhum dos dois acertou o gol. Assim, os argentinos terminaram o jogo com apenas duas finalizações, ante 20 da Espanha.

Foi o único jogo desta Copa em que um time não finalizou nos 90 minutos. Além disso, houve apenas outros quatro jogos na edição em que só um lado finalizou no primeiro tempo, todos na fase de grupos:

  • Brasil x Haiti: No primeiro tempo, só o Brasil finalizou, com seis tentativas
  • Nova Zelândia x Bélgica: Só a Belgica finalizou no primeiro tempo, com 16 chutes
  • Gana x Panamá: No primeiro tempo, só o Panamá finalizou, três vezes
  • Inglaterra x Gana: No primeiro tempo, só a Inglaterra finalizou, com seis chutes

Os argentinos tiveram tanta dificuldade para jogar que o goleiro Dibu Martínez foi quem mais passou a bola (53 toques, 18 a mais do que Messi, com 35).

Enquanto isso, a Espanha tocou a bola quase o dobro de vezes (852) que os adversários (463), acumulando 65% da posse de bola na partida.

A final de 2026 provou que, pelo menos atualmente, o ataque é a melhor defesa.

O controle de jogo espanhol fez a equipe tornar-se a campeã com a melhor defesa da história: sofreu apenas um gol no torneio, superando o recorde de dois gols sofridos dividido por França (1998), Itália (2006) e a própria Espanha (2010).

Estratégica, a posse de bola protege tanto o goleiro Unai Simón que ele terminou a Copa com apenas dez defesas. Dibu Martínez fez 11 defesas apenas na final.

Os mapas de calor retratam a diferença de jogo das equipes.

Mesmo com tanta estabilidade na partida, a Fúria teve dificuldade para marcar o gol da vitória. Deu só três chutes no primeiro tempo, nenhum muito perigoso.

No segundo tempo, os espanhóis tiveram ainda mais domínio. Visivelmente cansados, os argentinos começaram a ceder mais espaço. Ainda assim, nenhum dos 12 chutes tentados na etapa deram muito trabalho a Dibu Martínez.

A falta de força ofensiva não foi uma grande surpresa, já que a Espanha tem o ataque menos eficiente entre as quatro primeiras colocadas. Marcou 14 gols no torneio, o mesmo número que a Bélgica, eliminada nas quartas, e só três a mais que a Holanda, eliminada na fase de 32 seleções.

A equipe já havia mostrado dificuldades para finalizar em outras partidas, como contra Cabo Verde, quando empatou por 0 a 0 após chutar 27 vezes.

Neste domingo, os espanhóis insistiram nos cruzamentos para furar a defesa argentina: foram 27 ao longo de toda a partida, com só 5 certos (18,5%). Um deles caiu na cabeça de Nico Williams, que escorou para Ferran Torres —ironicamente, um dos atacantes mais ineficientes do torneio até a final— marcar seu primeiro gol no Mundial e decidir o título.

Antes do jogo, Ferran só não havia perdido mais chances claras (1,64) do que Michael Olise, da França (2,07 gols perdidos), de acordo com a estatística de gols esperados (xG) da Opta.

Por fim, o jogo coletivo da Espanha sobrepôs qualquer individualidade no que parecia ser a Copa dos craques. Mbappé, Dembelé, Cristiano Ronaldo e Messi passaram em branco contra a Fúria: além de não fazer gols, os principais nomes do torneio não tiveram chances claras de converter.

Nem mesmo a individualidade de Lamine Yamal sobressaiu: o jovem atacante marcou apenas um gol e não deu assistências na Copa. O artilheiro espanhol na campanha foi o pouco badalado Mikel Oyarzabal, com cinco gols marcados. Marc Cucurella e Dani Olmo, com duas assistências, foram os “garçons” do time.

Enquanto a Espanha usou principalmente a posse para se defender, os argentinos usaram as faltas. Das 46 infrações na decisão, 25 foram da Argentina, a segunda maior marca de uma equipe em um jogo de Copas. A primeira é dos próprios hermanos, na final de 2022, contra a França (26).

Os argentinos ainda receberam quatro cartões amarelos e um cartão vermelho durante o jogo, enquanto espanhóis não foram penalizados. Expulso, o argentino Enzo Fernández tornou-se o sexto jogador a receber vermelho em uma final de Copa, o terceiro argentino da lista:

  • O argentino Pedro Monzón, em Argentina x Alemanha (1990)
  • O argentino Gustavo Dezotti, em Argentina x Alemanha (1990)
  • O francês Marcel Desailly, em Brasil x França (1998)
  • O francês Zinédine Zidane, em Itália x França (2006)
  • O holandês John Heitinga, em Holanda x Espanha (2010)
  • O argentino Enzo Fernández, em Espanha x Argentina (2026)

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