29/11/2025

Assembleias Legislativas reagem ao STF e propõem PLs contra maconha

Foto: Reprodução

Movimento da direita em Assembleias Legislativas tenta reagir ao STF com projetos contra maconha, como multas de até R$ 28 mil ao usuário

Uma mobilização da direita tenta reagir ao Supremo Tribunal Federal (STF) e impor penas mais duras para o usuário de maconha. Com Projetos de Lei (PLs) de conteúdos semelhantes e espalhados em Assembleias Legislativas pelo país, já há iniciativas que tentam multar quem estiver com a droga em ao menos 11 estados e no Distrito Federal.

As propostas chegam a tentar impor cobrança de até R$ 28 mil para quem portar drogas ilícitas. Em Santa Catarina, um texto com essa ideia já foi aprovado e segue para o governador Jorginho Mello (PL), que já afirmou que vai sancionar.

O levantamento de propostas legislativas é semelhantes nas 26 Assembleias Legislativas dos estados e na Câmara Legislativa do DF. Ao todo, pelo menos 12 já têm projetos protocolados penalizando o usuário de maconha.

Esse movimento da direita teve início entre o fim de 2023 e o começo de 2024, copiando alguns poucos projetos que já existiam, mas que não tinham tido muita adesão. Foi neste período em que o ministro do Supremo André Mendonça devolveu ao Plenário da Corte a ação sobre a maconha, após pedir vista, em dezembro de 2023.

Após a decisão do STF pela descriminalização do porte individual de até 40g de maconha, em 26 de junho, houve maior pressão pela aprovação dos textos em todo o país. No caso de Santa Catarina, por exemplo, a proposta de lei aprovada agora, em julho, foi protocolada ainda em 2021, pelo deputado estadual Jessé Lopes (PL), mas teve forte apelo entre conservadores depois do entendimento dos ministros do Supremo.

Movimento coordenado

Nas Assembleias Legislativas de Santa Catarina, Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, as proposições com o mesmo teor são de políticos do Partido Liberal, de Jair Bolsonaro. A ideia paulista é a mais dura.

Gil Diniz (PL) quer tipificar o porte de drogas ilícitas como infração administrativa, com imposição de multa de até vinte salários mínimos, se o infrator for reincidente por mais de três vezes. Atualmente, o valor seria de R$ 28.240.

Já no Rio de Janeiro e em Goiás, as propostas que proíbem o “consumo pessoal de entorpecentes em locais públicos” estabelecem multa de R$ 400. No estado fluminense, uma proposta com teor diferente, mas também contra usuários, veda a concessão de benefício social a quem for flagrado usando droga. O texto é do deputado Anderson Moraes (PL).

Embora esse texto em específico seja distinto, a maior parte chega a copiar cada artigo do projeto de lei. O corpo do texto costuma ser o mesmo: “Dispõe sobre as sanções administrativas aplicadas pelo estado às pessoas que forem flagradas em áreas e logradouros públicos fazendo uso de drogas ilícitas em desacordo com determinação legal ou regulamentar, e dá outras providências”.

Alguns foram apresentados com apenas um dia de diferença. Em 17 de janeiro deste ano, a Assembleia Legislativa da Paraíba recebeu um desses textos. Um dia depois, outro chegou na Assembleia Legislativa do Paraná.

Em Câmaras Municipais, os PLs também se repetem. A deputada federal Rosangela Moro (União-SP) chegou a escrever nas redes, em resposta à notícia de aprovação do texto de Santa Catarina, que “esse exemplo pode ser seguido pelas Câmaras Municipais, para não tornar as cidades terras de porte de maconha”.

Constitucionalidade

Especialista em Direito Constitucional, Antonio Carlos de Freitas Jr lembra que cada proposição precisa ser analisada de forma única e minuciosa para que exista a avaliação sobre a constitucionalidade ou não das normas.

“O fato é que, quando o STF diz que não tem que ter uma questão criminal, ele afasta a legislação criminal, que é competência federal, só do Congresso Nacional, e permite que haja sanções no âmbito administrativo. Então, você tem, sim, um campo de atuação das Assembleias Legislativas. Mas não é só pela possibilidade de uma sessão administrativa que automaticamente todas as Assembleias têm competência.”

O mestre em Direito Constitucional pela USP diz ainda que é preciso verificar em cada projeto de lei se existe uma base temática para que a Casa tenha competência para legislar. “Maconha não é um tema de competência por si só, então, tem que ver qual bem jurídico se deseja defender para que veja se há exercício de competência constitucional.”

Tribuna Livre, com informações das Assembleias Legislativas dos estados e Câmara Legislativa do DF

Deixe um comentário

Leia também
logoMPDFT-14
Ministério público do df fiscaliza postos de combustíveis em ação nacional
f1280x720-163571_295246_5050
Cefet: ataque a tiros deixa duas servidoras mortas
image-400-faba16e2511ca1dfd37b1e215d3ee08a
Último dia para doar roupas para egressos do sistema prisional
f1280x720-163568_295243_5050
Vídeo: força aérea brasileira testa míssil meteor em demonstração de poder
logoMPDFT-13
Moradores de são sebastião têm acesso a serviços e projetos do mpdft
image-400-1df1782878b375ad5de57fe6389547cd
Tjdft celebra uma década de atuação do provid no combate à violência doméstica
f1280x720-163252_294927_5050
Governo avalia fim de pedágio alvo de críticas por altos valores
logoMPDFT-12
Homem é condenado a 20 anos por atacar grávida na asa norte
image-400-3dd8b52e566d42de1e710a00acbd200d
Dupla é condenada por homicídio qualificado ligado a guerra de gangues em ceilândia
f1280x720-163434_295109_5050
Arcebispo põe fim à vigília pró-bolsonaro em igreja e enfrenta apoiadores
logoMPDFT-11
Mpdft fiscaliza postos de combustíveis em operação conjunta no distrito federal
image-400-aa873f8471b1c5668ea5c9b04d2200b5
Violência contra a mulher: brasil registra números alarmantes em 2024

Cefet: ataque a tiros deixa duas servidoras mortas

Um trágico ataque a tiros em uma unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) resultou na morte de duas funcionárias da instituição. O autor dos disparos, também servidor do Cefet, é apontado como o responsável pelo ataque. As vítimas eram funcionárias da instituição. As informações preliminares indicam que o

Leia mais...

Último dia para doar roupas para egressos do sistema prisional

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Distrito Federal (GMF/DF), encerra nesta sexta-feira, 28 de novembro, a campanha de arrecadação de roupas e sapatos destinada a egressos do sistema prisional. A iniciativa

Leia mais...

Governo alivia bolso do consumidor com redução na conta de luz

Contas de luz terão um custo menor para os consumidores em dezembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a mudança na bandeira tarifária, que passa da vermelha para a amarela. A alteração representa um alívio no orçamento das famílias, especialmente em um período de maior consumo de energia

Leia mais...

Vídeo: Polícia resgata 13 animais silvestres em cativeiro no Park Way

Durante a Operação Lex Animalia, policiais encontraram 12 jabutis e um cágado em condições irregulares em uma mansão do Park Way. Os animais foram apreendidos e encaminhados para cuidados veterinários A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Lex Animalia, nesta quarta-feira (26/11), para o enfrentamento do tráfico

Leia mais...

A sua privacidade é importante para o Tribuna Livre Brasil. Nossa política de privacidade visa garantir a transparência e segurança no tratamento de seus dados pessoais.