O governo da Austrália informou nesta terça-feira (9) que concedeu vistos humanitários a cinco integrantes da seleção feminina de futebol do Irã que solicitaram proteção no país. A decisão ocorre após um apelo público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pediu ao primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, que concedesse asilo às atletas e afirmou que Washington as acolheria caso a Austrália não o fizesse.
Segundo o ministro do Interior australiano, Tony Burke, as solicitações foram aprovadas durante a madrugada desta segunda.
“Assinei as autorizações e o processo foi concluído pelo meu departamento há algumas horas”, declarou o ministro a jornalistas. Burke afirmou ainda que as cinco jogadoras foram retiradas do hotel onde estavam hospedadas e levadas para “um local seguro” sob acompanhamento da Polícia Federal Australiana.
De acordo com o ministro, as demais integrantes da equipe permanecem na acomodação oficial da delegação, mas terão oportunidade de apresentar pedido de proteção caso desejem.
“Digo às outras integrantes da equipe que a mesma oportunidade está disponível. A Austrália acolheu a seleção feminina iraniana em nossos corações”, afirmou.
As jogadoras estão no país para disputar a Copa da Ásia Feminina. A situação ganhou repercussão após parte da equipe permanecer em silêncio durante o hino nacional iraniano antes da partida de estreia na competição, gesto que, segundo informações, levou autoridades do regime em Teerã a classificarem as atletas como “traidoras”.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a Austrália estaria cometendo um “terrível erro humanitário” caso permitisse o retorno forçado das jogadoras ao Irã. “Dê asilo a elas”, escreveu o presidente americano.
Em novo post nesta segunda, Trump informou que conversou com Albanese e confirmou que cinco atletas femininas da equipe iraniana já tinham sido atendidas e que o “restante está a caminho”. Trump elogiou a decisão do governo do primeiro-ministro australiano por conduzir a situação.
Segundo a imprensa internacional, algumas atletas estariam divididas quanto ao pedido de refúgio na Austrália por temerem represálias contra familiares que permanecem no Irã. Organizações de direitos humanos e o sindicato internacional de jogadores FIFPRO para Ásia/Oceania pediram garantias de segurança às atletas.