O Banco Mundial revisou para baixo a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026, reduzindo a estimativa de 2% para 1,6%. A projeção faz parte do relatório Panorama Econômico da América Latina e o Caribe, divulgado nesta quarta-feira (8) em Washington, nos Estados Unidos.
De acordo com o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, William Maloney, a redução reflete efeitos externos, como o choque nos preços do petróleo, e internos, incluindo as altas taxas de juros que afetam consumidores endividados. O endividamento das famílias tem sido uma preocupação do governo, que avalia medidas como o uso do FGTS para quitação de dívidas.
A estimativa do Banco Mundial alinha-se à do Banco Central brasileiro, mas fica abaixo da projeção do mercado financeiro, divulgada no boletim Focus, de 1,85%, e da previsão do Ministério da Fazenda, de 2,3%.
Para a América Latina como um todo, a projeção de crescimento foi ajustada de 2,3% para 2,1%. A desaceleração é atribuída, em parte, à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que gerou instabilidade na cadeia produtiva de petróleo. A região, com países produtores e rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, sofre com os impactos nos preços de energia, o que deve tornar os países mais cautelosos na redução de juros e pressionar as políticas fiscais.
No ranking regional, o Brasil ocupa a 22ª posição entre 29 países latino-americanos e caribenhos. A liderança é da Guiana, com previsão de 16,3% de crescimento, impulsionado pela exploração de petróleo na Margem Equatorial. Os números da Guiana foram excluídos do cálculo regional médio devido à sua magnitude excepcional.
Apesar da posição baixa, o relatório elogia avanços brasileiros em setores específicos. Na indústria de aviação, a Embraer é destacada como exemplo de excelência. Na agricultura, a Embrapa é reconhecida por incorporar ciência, experimentação descentralizada e desenvolvimento de capital humano, gerando ganhos de produtividade sustentáveis. As informações foram retiradas da Agência Brasil.