Brasil sedia 8ª conferência para conservação da Amazônia em Manaus

Brasil sedia 8ª conferência para conservação da Amazônia em Manaus
Brasil sedia 8ª conferência para conservação da Amazônia em Manaus – Reprodução

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) sediou, no início de março de 2026, a 8ª Conferência Anual do Programa Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL), em Manaus (AM). O evento reuniu representantes de oito países amazônicos — Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Guiana, Suriname e Venezuela —, além de governos, organizações internacionais, pesquisadores e lideranças de territórios da floresta. O objetivo foi compartilhar experiências e discutir soluções para a conservação da Amazônia.

A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, enfatizou a necessidade de fortalecer as redes de cooperação que sustentam o programa. “Se eu tivesse que escolher uma prioridade, seria fortalecer a malha das interconexões entre as instituições que compõem o ASL. São essas redes que garantem continuidade às ações, mesmo quando mudam governos ou equipes”, disse ela.

Carlos Eduardo Marinelli, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA e supervisor do projeto ASL Brasil, destacou que o programa aproxima iniciativas territoriais das políticas públicas nacionais. “Uma das principais lições aprendidas é que investimentos de médio e longo prazo têm capacidade de fortalecer e aprimorar políticas públicas já existentes”, afirmou.

Os debates abordaram temas como gestão de áreas protegidas, bioeconomia, governança territorial, restauração de ecossistemas, financiamento para conservação e combate aos crimes ambientais. Pascal Martinez, líder temático de Florestas e Vida Selvagem do Global Environment Facility, ressaltou a importância de ampliar investimentos e cooperação internacional. “Quando protegemos a floresta, protegemos também a biodiversidade, o solo e a água. Mas ainda enfrentamos um desafio de escala. O financiamento global para a conservação é muito menor do que o necessário para alcançar as metas ambientais até 2030”, comentou. Segundo ele, cerca de US$ 84 bilhões são investidos anualmente na proteção da natureza, enquanto estudos indicam a necessidade de aproximadamente US$ 300 bilhões para cumprir as metas globais até 2030.

Durante a conferência, o Brasil apresentou avanços do ASL Brasil, coordenado pelo MMA, que visa fortalecer a gestão integrada da paisagem amazônica. Entre os resultados, destacam-se a criação de 24 novas Unidades de Conservação, protegendo cerca de 4,5 milhões de hectares de floresta; o fortalecimento da gestão de 102 unidades; a regeneração natural de 49,3 mil hectares; e a implementação de 1,37 milhão de hectares de concessões florestais sustentáveis.

O programa também promove ações de inclusão de jovens e mulheres, fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis e apoio a coletivos locais de governança territorial. Organizações como a Rede de Mulheres da Reserva da Biosfera da Amazônia Central, a Rede Sauim de Jovens e o Coletivo Jovens Protagonistas do Médio Juruá participaram do evento.

Desde 2023, o ASL Brasil destinou R$ 11,26 milhões para iniciativas em territórios de povos e comunidades tradicionais. Para os próximos anos, estão previstos cerca de R$ 29,73 milhões em novos investimentos, voltados ao fortalecimento da governança local, valorização de saberes tradicionais e promoção de atividades produtivas sustentáveis. Essas ações contribuem para a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais, como regulação do clima, conservação da biodiversidade e proteção de recursos hídricos.

A conferência destacou o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na proteção da Amazônia. Inácio Karitiana, liderança da Aldeia Karitiana, em Rondônia, relatou como a participação em redes de coleta de sementes apoiadas pelo ASL Brasil transformou a relação de sua comunidade com a floresta. “Antes, nosso povo não sabia da importância das sementes. Hoje entendemos que elas ajudam a reflorestar áreas degradadas e mudaram nossa forma de olhar para a floresta”, disse.

A sociobioeconomia foi outro foco, com cadeias produtivas como coleta de sementes, sistemas agroflorestais e manejo de espécies contribuindo para gerar renda e reduzir pressões sobre a floresta. Iniciativas em territórios de difícil acesso fortalecem redes locais de organização e gestão de recursos naturais, conservando a biodiversidade e promovendo qualidade de vida.

Ao reunir diversos atores, o evento reforçou a importância da cooperação regional, integração entre políticas públicas e valorização do conhecimento local para proteger a Amazônia. A delegação brasileira contou com 27 pessoas, incluindo representantes da coordenação do ASL Brasil e de territórios onde o projeto é desenvolvido.

T CSM

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