Brasília tem se consolidado como capital de grandes eventos esportivos, resultado de investimentos do Governo do Distrito Federal (GDF) em infraestrutura e no fortalecimento de políticas públicas. Desde 2019, a cidade sediou diversas competições e se prepara para receber a Copa do Mundo Feminina da FIFA em 2027.
Grandes eventos esportivos em Brasília
Mais de 80 eventos foram organizados com apoio da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL-DF) no ano passado. Milhares de pessoas assistiram às etapas do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, o STU National Brasília – Super Final Street, o Troféu Brasil de Ginástica Artística, entre outros torneios. “Brasília se tornou a capital não só administrativa, mas também a capital do esporte. Realizamos eventos grandes e fora da curva, como foi a última edição da Corrida de Reis, que foi a maior de todos os tempos”, afirma o subsecretário de Esporte, Lazer e Espaços Esportivos, Nivaldo Félix.
No final de janeiro, a Corrida de Reis registrou a maior edição da história, com cerca de 30 mil pessoas participando. Em fevereiro, mais de 71 mil torcedores prestigiaram o jogo entre Flamengo e Corinthians, pela Supercopa do Brasil. Já no ano passado, o destaque foi para os Jogos da Juventude 2025, com cerca de 5 mil jovens atletas, recorde da história do evento.
Este ano também promete ser memorável. Brasília foi escolhida para receber o Campeonato Mundial de Marcha Atlética por Equipes da World Athletics em 2026. O evento está previsto para abril, na Esplanada dos Ministérios. “Será a primeira vez da Marcha Atlética Mundial no Hemisfério Sul, com a presença do nosso medalhista olímpico, Caio Bonfim, além de mais de 40 países presentes. Teremos mais competições ao longo do ano e nos preparamos para a Copa do Mundo Feminina da FIFA, em que Brasília é uma das oito cidades-sede”, ressalta o subsecretário. O torneio mundial de futebol será entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, no Mané Garrincha.
Investimento em infraestrutura e programas de incentivo
Formação, inclusão e alto rendimento
Para sustentar e impulsionar o crescimento do setor esportivo, o GDF investe em infraestrutura e inclusão social. Somente no ano passado, foram aplicados cerca de R$ 22 milhões em obras, reformas e manutenções. Entre as principais intervenções estão a retomada da iluminação do Estádio Abadião, em Ceilândia, e a reforma do Estádio Augustinho Lima, em Sobradinho, com investimento superior a R$ 4,4 milhões.
Os esforços também contemplam os 12 Centros Olímpicos e Paralímpicos do DF, que atendem a mais de 45 mil alunos. Uma nova unidade está sendo construída no Paranoá com capacidade para atender a 5 mil pessoas.
No alto rendimento, programas como o Compete Brasília e o Bolsa Atleta têm sido fundamentais. Em 2025, o Compete beneficiou 5.255 atletas e paratletas, com investimento de R$ 9,1 milhões. Já o Bolsa Atleta atende atualmente 132 atletas olímpicos e 115 paralímpicos. Além disso, em dezembro de 2025, o governo criou o Programa de Apoio ao Futebol do Distrito Federal.
O estádio Bezerrão, no Gama, passou pela maior reforma desde 2008, com um investimento de mais de R$ 3,9 milhões. Outros espaços que receberam serviços de manutenção são o Joaquim Domingos Roriz (Rorizão), em Samambaia, e o JK, no Paranoá. Os três estádios, incluindo também o Augustinho Lima, poderão ser utilizados como centros de treinamento pelas seleções da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027™.
Do tatame ao impacto social
A trajetória da atleta e presidente da Associação Kron de Lutas, Selma Bernardes, é um exemplo de como o investimento no alto rendimento reverbera na comunidade. Professora da rede pública, Selma iniciou no jiu-jitsu após os 40 anos. “Encontrei no jiu-jitsu muito mais que um esporte. Ele me deu objetivo, disciplina e ferramentas para lidar com a pressão”, conta.
Graças ao Compete Brasília, pôde participar de campeonatos nacionais e internacionais, conquistando títulos mundiais de 2022 a 2025 e títulos europeus em 2025 e 2026. “Quando a gente começa a competir fora de Brasília, rompe uma bolha. Cada campeonato é um aprendizado que volta para a comunidade”, afirma. A vontade de contribuir fez surgir a Associação Kron de Lutas, em Taguatinga. “Quando você abraça um atleta, você impacta toda a comunidade que está ao redor dele. Brasília está dando estrutura para que os atletas sonhem. E quando a gente planta no esporte, a gente colhe transformação social.”
A experiência de Selma inspira atletas mais jovens, como Bianca Alves, que começou no jiu-jítsu aos 14 anos. Beneficiada pelo Compete Brasília desde 2022, ela afirma que o programa foi decisivo para sua carreira. “Para você subir no ranking, não basta competir no seu estado. O Compete me permitiu lutar em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e outros centros fortes do jiu-jitsu”, explica. Graças a esse apoio, Bianca alcançou o primeiro lugar no ranking nacional da sua categoria entre 2023 e 2024. “Muita gente não vê Brasília como um estado forte no jiu-jítsu. Quando a gente vai para fora e traz resultados, mostra que aqui tem talento e que o DF é um dos lugares que mais investem nos atletas”, conclui.