Chileno detido por fala racista em voo em SP pede desculpas

A defesa do executivo chileno Germán Naranjo Maldini, detido no Brasil por ataques racistas e homofóbicos durante voo da Latam, pediu à Justiça Federal a revogação da prisão e afirmou que o homem passa por tratamento psiquiátrico há mais de dez anos.

O executivo, que está preso no CDP (Centro de Detenção Provisória)de Guarulhos, se desculpou pelas agressões verbais contra um tripulante do voo. Maldini se reuniu com o advogado criminalista Carlos Kauffmann, que o representa, ontem e afirmou que passa por tratamento psiquiátrico desde 2013.

Chileno estava “completamente desorientado” durante o voo, diz a defesa. O executivo afirmou ao advogado que ficou “chocado com as palavras proferidas que não refletem o que é”. “Perdi meu irmão um tempo atrás e bebi demais. Estava passando por tratamento psiquiátrico (…) a pessoa que viram não sou eu, é uma pessoa que estava fora de si”, teria dito.

Defesa do executivo pediu à Justiça Federal a revogação da prisão. O advogado também esclareceu que solicitou uma avaliação da condição clínica e do estado mental de Maldini. No pedido, Carlos Kauffmann destacou a existência de risco concreto ao preso em razão da repercussão do caso e de seu estado mental.

“Bruno, provavelmente você está bravo demais para me perdoar, mas espero ter a chance de me desculpar pessoalmente para você. De novo: não era eu. Minha mente estava em um estado alterado”, disse Germán Naranjo Maldini, em conversa com o advogado.

O crime ocorreu em um voo que seguia de Guarulhos, em São Paulo, para Frankfurt, na Alemanha. Durante a viagem, o homem chamou um funcionário de “preto” e “macaco” e imitou o animal. Ele ainda disse que o comissário tinha “cheiro de negro brasileiro” e que ser gay “é um problema” para ele.

O caso ocorreu no último dia 10 de maio, mas o homem só foi preso no dia 15, quando retornou de Frankfurt. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Federal e ocorreu no aeroporto de Guarulhos, na conexão de volta da Alemanha ao Brasil.

Ofensas ocorreram após o chileno tentar abrir a porta do avião. Ao ser contido pelos comissários de bordo, ele passou a xingar os tripulantes com palavras racistas, homofóbicas e xenofóbicas quando os profissionais pediram para ele retornar ao seu assento na aeronave.

Comissários questionaram as declarações preconceituosas. “Qual o problema de ser gay?”, perguntou um dos tripulantes ofendidos. “Para mim é um problema. A pele negra também”, respondeu o chileno antes de chamar o comissário de “macaco” e fazer sons imitando o animal.

A Latam Airlines diz que “repudia veementemente qualquer prática discriminatória”. Em nota, a companhia aérea afirma ter colaborado com a PF para a prisão do passageiro. “A Latam esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência”, afirma o texto.

O executivo trabalha como gerente de uma empresa chilena Landes, de alimentos e biotecnologia marinha. Em nota, a companhia informou que ele seria afastado “formal e preventivamente” de suas funções.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) repudiou a conduta do executivo chileno. “Violenta, racista, homofóbica e incompatível com os princípios de civilidade respeito praticada por um passageiro”. Em nota, a agência informou que se solidariza com os demais passageiros, especialmente, com os tripulantes envolvidos, reafirmando seu compromisso com a promoção de um ambiente de aviação civil seguro, respeitoso e livre de qualquer forma de discriminação ou violência.

A agência declarou que acompanhará a apuração dos fatos. Também ressaltou que adotará, no âmbito de suas competências legais e regulatórias, as medidas cabíveis em conjunto com a companhia aérea e demais autoridades competentes.

“É importante relembrar que a partir de 14 de setembro, as regras envolvendo casos de passageiros indisciplinados no Brasil passarão a ser mais duras e, casos como o mencionado, poderão ser enquadrados na categoria gravíssima, com a aplicação de multa de R$ 17,5 mil e inclusão do nome do passageiro em lista de impedimento de embarque”, disse a Anac, em nota.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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