A Defesa Civil de São Paulo mobilizou neste domingo (8) um gabinete de crise presencial diante do avanço das chuvas intensas que atingem desde ontem diferentes regiões do estado. Em São Carlos, no interior, o volume registrado em apenas 24 horas foi o equivalente à chuva esperada para 24 dias. Quatro pessoas estão desabrigadas na Baixada Santista.
Chuvas se intensificaram devido à atuação de um sistema de baixa pressão no oceano, associado à ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul). Os maiores acumulados foram observados na faixa leste, no litoral e no noroeste paulista, com volumes considerados extremamente elevados para um único dia.
Cidade onde mais choveu no estado nas últimas 24 horas foi São Carlos, a 316 km da capital. Foram 137 milímetros. O acumulado em um dia representou cerca de 80% da média histórica de todo o mês de fevereiro, um total de 24 dias. Houve extravasamento do rio Monjolinho, pontos de alagamento e sete veículos ilhados. Ninguém ficou ferido.
Em Laranjal Paulista, o Ribeirão Laranjal transbordou no bairro Vila Zala, causando inundação e atingindo moradias. A enxurrada também provocou erosões na estrada Vicinal João Bordignon, na área rural, e levou à queda de uma ponte na rua 5 de Julho, no bairro Boeninho, que liga dois bairros e era utilizada para o tráfego de veículos. A Defesa Civil municipal realiza a sinalização do local e orienta caminhos alternativos. Houve ainda queda parcial de um muro no bairro Jardim Itaporanga.
Litoral norte também teve volumes elevados. Em Ubatuba, foram registrados 129 milímetros nas últimas 24 horas. Bertioga teve 126 mm, enquanto São Sebastião registrou 119 mm. Em Caraguatatuba, choveu 103 milímetros. Toda a região já estava em alerta por causa das chuvas registradas durante a semana e um alerta severo de chuva foi emitido nesta tarde.
Estragos espalhados em todo o estado. Em Ribeirão Bonito, próximo a São Carlos, foram registrados pontos de enxurrada e queda de dois muros de residências. Em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, um deslizamento de terra também aconteceu. Em São José do Rio Preto, choveu 103 milímetros nas últimas 24 horas. Em Campinas, o rio Atibaia transbordou e atingiu ruas que ficam próximas ao leito no distrito de Sousas. Um deslizamento de terra foi registrado, invadindo parte de uma avenida, que teve que ser bloqueada. O local já foi liberado.
De acordo com o balanço estadual, 13 pessoas ficaram desalojadas e quatro desabrigadas, sem registro de feridos ou mortes. Os desabrigados estão em Bertioga -uma moradia foi interditada por causa do alto volume de chuvas. No Guarujá, um deslizamento de terra atingiu uma casa e deixou uma pessoa desalojada. Em Nazaré Paulista, a 66 km da capital, uma moradia foi atingida por alagamento após deslizamento de terra, deixando quatro desalojados. Francisco Morato, na Grande São Paulo, um muro caiu após deslizamento de terra, deixando três pessoas temporariamente sem moradia. Cinco pessoas ficaram desalojadas em Jundiaí após a queda de um muro sobre uma residência.
Gabinete seguirá mobilizado amanhã. Representantes de concessionárias de energia, água, gás e telefonia, além do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), Corpo de Bombeiros, SP Águas, Arsesp (Agência Reguladora dos Serviços Públicos), Artesp (Agência de Transportes do Estado), Fundo Social e outros órgãos, passaram a atuar de forma integrada na sede da Defesa Civil, no Palácio dos Bandeirantes.
Defesa Civil do estado orienta evitar áreas sujeitas a alagamentos e deslizamentos, não atravessar ruas inundadas e atenção a sinais de instabilidade em encostas. Em situações de emergência, o contato deve ser feito pelos telefones 199, da Defesa Civil, ou 193, do Corpo de Bombeiros.