Colégio de elite de SP suspende alunos após mensagens misóginas em grupo

Mensagens misóginas compartilhadas no WhatsApp por adolescentes do colégio particular São Domingos, no bairro de Perdizes, em São Paulo, levaram à suspensão de alunos, segundo apurado pelo UOL. A escola não detalhou o conteúdo, nem especificou quantos ou qual seria a participação dos estudantes no caso.

Alunas ouvidas pela reportagem relataram medo e insegurança após a troca de mensagens em grupo de WhatsApp de estudantes do 9º ano do colégio. Meninas disseram que uma lista teria sido compartilhada na semana passada com nomes de alunas elencadas como “mais e menos estupráveis”. Adolescentes do 9º ano do ensino fundamental têm entre 13 a 14 anos.

O conteúdo com os nomes das adolescentes teria sido apagado logo depois do envio e, por isso, o UOL não teve acesso às mensagens. Uma estudante do ensino médio do São Domingos afirmou que a lista “sumiu” quando a direção do colégio tomou ciência do ocorrido. Foram realizadas conversas em sala de aula com turmas dos ensinos fundamental e médio.

Procurado, o São Domingos confirmou que tomou ciência de “um conjunto de mensagens de caráter misógino”. Em nota enviada pelo diretor pedagógico do colégio, Luís Fernando Weffort, o conteúdo também foi classificado como “ofensivo” à comunidade escolar, “em especial, às estudantes -e em total desacordo com os princípios e valores” da instituição (leia o posicionamento na íntegra abaixo). Escola destacou que mensagens foram compartilhadas por estudantes em grupos de WhatsApp “não institucionais”.

Estudantes ouvidas pelo UOL criticaram a direção do São Domingos por tratar o caso como fato externo à instituição. Apesar de os grupos de conversa serem particulares e usados fora do ambiente escolar, as adolescentes acreditam ser responsabilidade também do colégio conscientizar e proteger seus alunos para que ameaças misóginas não se propaguem nem se concretizem, dentro e fora da instituição.

Alunas do ensino fundamental e médio fizeram manifestação no colégio contra o episódio. Segundo relatos, na quinta-feira (12), estudantes do 9º ano colaram papéis nas paredes com frases de protesto, enquanto secundaristas vestiram ou usaram acessórios na cor lilás -que se tornou símbolo da luta por igualdade de gênero.

A escola diz que alunos foram suspensos, sem especificar quantos, por quanto tempo ou as idades deles. A direção afirmou, ainda, que criou um grupo de trabalho para “apurar e acompanhar os desdobramentos” do caso, assim como “indicar medidas restaurativas cabíveis”.

A direção também se pronunciou em comunicado enviado aos pais dos alunos. No texto, encaminhado na sexta-feira (13), a escola afirma que está mobilizada “com uma situação que se originou na virtualidade das relações que os adolescentes estabelecem por meio do acesso ao celular, às mídias sociais e aos conteúdos digitais a eles vinculados”. Desde 2025, uma lei proíbe o uso de aparelhos eletrônicos em instituições públicas e privadas de educação básica.

O São Domingos informou, ainda, que adotou medidas educacionais ao tomar conhecimento do caso. Entre elas, conforme o comunicado encaminhado aos pais e a nota enviada ao UOL, estão a “escuta e acolhimento das estudantes”, “conversa com os estudantes autores das postagens” e “conversas reservadas com os familiares dos estudantes envolvidos nas publicações”.

Além da punição escolar, os autores também podem responder na Justiça caso haja denúncia formal. Como são menores de idade, a prática é de ato infracional, nesse caso equiparável a pelo menos cinco crimes. “Podem estar presentes crimes contra a honra, especialmente injúria, porque há ofensa direta à dignidade das meninas, e difamação caso haja atribuição de fato que atinja a reputação delas”, explica a advogada Luciana Terra Vilar, especialista em violência contra a mulher.

A ação de criar a lista e divulgá-la também poderia caracterizar incitação ao crime, violência psicológica contra a mulher e ameaça. “Se você é uma menina e está com o nome nessa lista, se sente ameaçada de estupro”, afirma a advogada Mayra Cotta, também da área de violência de gênero.

LEIA O POSICIONAMENTO DO SÃO DOMINGOS NA ÍNTEGRA

No dia 11 de março, tomamos ciência de um conjunto de mensagens, compartilhadas por estudantes em grupos de WhatsApp (não institucionais), de caráter misógino, ofensivo à comunidade do Colégio São Domingos – em especial, às estudantes – e em total desacordo com os princípios e valores desta instituição de ensino.

Desde que tomamos conhecimento deste fato, que se originou na virtualidade das relações que os adolescentes estabelecem por meio do acesso ao celular e às mídias sociais e aos conteúdos digitais a eles vinculados, estamos mobilizados em enfrentar essa situação com a sensibilidade, a responsabilidade e o sigilo que competem a uma instituição de educação.

COMO AÇÃO IMEDIATA, AS SEGUINTES MEDIDAS EDUCACIONAIS FORAM ADOTADAS:

escuta e acolhimento das estudantes;conversa com os estudantes autores das postagens;conversas reservadas com os familiares dos estudantes envolvidos nas publicações;suspensão temporária dos envolvidos de todas as atividades curriculares e extracurriculares;conversas com as turmas, com amplo comprometimento dos educadores na discussão do tema em sala de aula.Concomitantemente a essas ações, membros da equipe pedagógica compõem o Grupo de Trabalho formalmente instituído, no dia 11 de março, em ato promulgado pelo diretor presidente da Associação Cultural São Paulo (mantenedora do colégio), para apurar e acompanhar os desdobramentos dessa ocorrência, assim como indicar medidas restaurativas cabíveis.

T CSM

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