A tensão se intensificou desde fevereiro, quando Washington e Teerã retomaram o diálogo e promoveram duas rodadas de tratativas sobre o programa nuclear. Apesar da reabertura das conversas, o período foi marcado por declarações duras e ameaças mútuas. Nos últimos dias, os Estados Unidos reforçaram a presença naval e aérea no Oriente Médio, inicialmente como resposta à repressão de protestos no Irã e, posteriormente, como instrumento de pressão diplomática.
Teerã nega buscar armamento nuclear e sustenta que seu programa tem finalidade exclusivamente civil, sobretudo para geração de energia, argumento baseado no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual o país é signatário.
Saiba quem é quem na estrutura de poder do Irã:
O aiatolá Ali Khamenei é a principal autoridade do Irã. Chefe de Estado e líder supremo em caráter vitalício, ele concentra o mais alto poder político e religioso do país. Cabe a ele nomear os comandantes das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária, indicar integrantes do Judiciário para os postos mais relevantes e definir as diretrizes de política interna e externa.
No cargo desde 1989, Khamenei também escolhe os dirigentes da mídia estatal, supervisiona as estruturas de inteligência e valida oficialmente os resultados das eleições presidenciais. O líder supremo é selecionado por uma Assembleia de Especialistas — composta por estudiosos da lei islâmica — eleita por voto direto a cada oito anos. No entanto, os candidatos à assembleia precisam do aval do Conselho de Guardiões, formado por seis juristas e seis clérigos, estes últimos indicados pelo próprio líder supremo.
Abaixo de Khamenei está o presidente da República, Masoud Pezeshkian, eleito por voto popular em 2024. Com poderes limitados pela autoridade do líder supremo, o presidente atua principalmente na condução da política econômica e na administração do governo. O Parlamento, composto por 290 deputados eleitos a cada quatro anos, também tem suas decisões submetidas ao crivo do Conselho de Guardiões, responsável por revisar e aprovar as leis.
Guarda Revolucionária
Criada em 1979, após a instauração da República Islâmica e o rompimento oficial das relações com Israel, a Guarda Revolucionária surgiu com a missão de proteger o regime. Em 1982, durante a invasão israelense ao Líbano, a corporação teve papel decisivo na formação do Hezbollah, grupo xiita que passou a atuar no sul do país e a confrontar Israel.
Considerada o braço mais influente das Forças Armadas iranianas, a Guarda Revolucionária atua de forma paralela às forças militares convencionais. Embora o governo não divulgue dados oficiais, estimativas do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos apontam que o efetivo chegue a cerca de 125 mil integrantes, distribuídos entre unidades terrestres, navais e aéreas próprias.
Em 2019, durante seu primeiro mandato, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a Guarda Revolucionária como “organização terrorista estrangeira”.
Entre os seus braços de atuação está a Força Quds, unidade de elite encarregada de coordenar operações externas e manter articulação com grupos aliados na região, como o Hamas, na Faixa de Gaza; o Hezbollah, no Líbano; e os Houthis, no Iêmen.
*Via O Globo