O coronel Edson Luís Sousa Melo Rocha, conhecido como Edson Raiado (PSD), foi eleito deputado estadual por Goiás nas Eleições 2026, com 32.717 votos, o equivalente a 0,90% dos votos válidos no estado.
Com mais de 778 mil seguidores nas redes sociais, Edson ficou nacionalmente conhecido por sua participação na operação de busca que acabou com o serial killer Lázaro Barbosa de Sousa morto.
Edson nasceu em Goiânia e tem 43 anos. Policial militar, é casado e tem ensino superior completo. Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral em 2026, informou patrimônio de R$ 570,7 mil, formado principalmente por um imóvel residencial em Senador Canêdo.
A eleição de 2026 não foi a primeira tentativa de Raiado de entrar para a política. Em 2022, ele concorreu a uma vaga de deputado federal por Goiás pelo Avante. Na ocasião, recebeu 19.811 votos, mas não foi eleito.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
A campanha, no entanto, não esteve isenta de controvérsias. Um vídeo em que Raiado aparece com uma máscara de caveira e um facão, simulando uma decapitação, foi considerado propaganda eleitoral irregular e teve de ser excluído após determinação judicial.
Caso Lázaro
Em junho de 2021, o coronel participou da operação de captura de Lázaro, que durante 20 dias foi procurado por forças de segurança em Goiás e no Distrito Federal. O serial killer aterrorizou o Entorno do DF após cometer vários homicídios em série e fugir de um cerco com cerca de 300 policiais. A operação terminou em 28 de junho de 2021, quando Lázaro foi localizado e morto durante um confronto com policiais, em Águas Lindas de Goiás.
A atuação na operação fez com que Raiado ganhasse projeção nacional e posteriormente passasse a ser identificado publicamente com o episódio.
Em 2022, Raiado lançou o livro Contagem Regressiva, em que relata os 11 dias de oito policiais que buscaram e encontraram o criminoso. À época, ele também foi promovido e condecorado com a Medalha da Ordem do Mérito Tiradentes no grau Grande-Oficial pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
A carreira de Raiado, porém, já era ligada a unidades de operações especiais da PMGO. Ele comandou o Comando de Operações de Divisas (COD), unidade especializada da corporação, e teve passagem por tropas de elite.
Polêmicas na carreira
A trajetória de Raiado também foi marcada por polêmicas. Em 2024, ele foi afastado do comando do COD após a divulgação de um vídeo que mostrava policiais simulando um confronto que terminava com a morte de dois suspeitos.
O caso foi investigado pela Polícia Civil de Goiás, e os policiais envolvidos foram afastados durante a apuração. Depois, Raiado foi transferido para o Comando de Operações de Cerrado (COC), sem função específica naquele momento.
Meses depois, outro vídeo envolvendo uma tropa então comandada por ele gerou repercussão. Durante um treinamento, policiais cantaram uma música com conteúdo que fazia apologia à execução de criminosos e incentivava a perseguição de testemunhas. O episódio provocou críticas e ampliou a controvérsia em torno da atuação do grupo.
Raiado também ganhou projeção fora da atividade policial ao atuar na segurança pessoal de Pablo Marçal. Em 2024, enquanto estava licenciado da PMGO, ele passou a acompanhar o empresário e então candidato à Prefeitura de São Paulo.
Na época, o UOL informou que Raiado continuava recebendo remuneração da corporação por estar em licença especial remunerada.
Embate com major
Em maio deste ano, o deputado estadual Major Araújo (PL-GO) e o coronel protagonizaram um embate marcado por ataques e acusações nas redes sociais e dentro da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
A confusão teve início quando o parlamentar do PL compartilhou em suas redes sociais uma entrevista que concedeu a uma rádio local. No vídeo, afirmou que Raiado tinha elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O caso envolve a morte de dois mecânicos de aeronave e de um piloto que já teve ligação com o PCC. Segundo denúncia do órgão, as vítimas foram assassinadas com tiros pelas costas, sem chance de defesa, em 2023, na região da BR-060, entre Goiânia e Abadia de Goiás.
“O Edson é um infiltrado do PCC […] Eu já tinha antecipado que ele tinha executado aquele delator do PCC […] A quem interessava a morte do delator? O cara está sendo investigado pela Operação Carbono Oculto. Por que ele executou o delator do PCC? É bandido, é queima de arquivo para fazer para o PCC”, declarou o deputado durante a entrevista.
Nas redes sociais, Edson Raiado afirmou que acionaria a Comissão de Ética da Alego contra o deputado em razão das declarações feitas na rádio e durante a sessão plenária.
Em vídeo, Raiado afirmou que protocolou uma representação contra o deputado e declarou que “a imunidade parlamentar não é um salvo-conduto para caluniadores”.
