A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, que desapareceu em 17 de dezembro em um condomínio de Caldas Novas, havia registrado um boletim de ocorrência por perseguição e agressão contra o síndico do local em agosto do ano anterior. O caso da corretora desaparecida é investigado pela Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), que apura a possível relação entre o sumiço e um histórico de conflitos com a administração do prédio.
Acusações contra a administração do condomínio
Em seu depoimento à polícia, Daiane relatou que a perseguição por parte do síndico teria começado em janeiro de 2025, com o objetivo de impedi-la de trabalhar no condomínio, onde ela e sua família são proprietários de seis apartamentos. Ela afirmou ter sofrido diversas restrições, como a proibição de usar a lavanderia e áreas comuns, além da recusa na entrega de correspondências e da chave do apartamento de sua mãe.
A corretora informou que precisou de uma liminar judicial para garantir seu acesso às áreas comuns do edifício. Outro problema recorrente era a falta de água nos apartamentos da família, cujo controle dos registros, segundo ela, era exclusivo do síndico. “A água começou a desaparecer e ninguém me dava resposta”, declarou.
O conflito culminou em uma suposta agressão física. Ao procurar o síndico para questionar sobre a falta de água, uma discussão começou. “De repente ele me deu um soco e uma cotovelada no rosto. Meu celular caiu, meus óculos caíram”, relatou Daiane, que negou ter agredido o administrador.
Investigação revela versões conflitantes
A investigação da Polícia Civil, no entanto, colheu depoimentos que divergem da versão da corretora. Uma testemunha, moradora do prédio, afirmou ter ouvido gritos e encontrado Daiane exaltada na recepção, batendo nos vidros e tentando quebrar uma porta de uso comum.
Imagens do circuito de segurança do condomínio também foram analisadas e mostram uma discussão intensa na recepção. Nos vídeos, a corretora aparece alterada, enquanto o síndico observa a cena, sem que haja registro de agressão física por parte dele.
Expulsão e desaparecimento
Os desentendimentos se prolongaram por meses, resultando na expulsão de Daiane do condomínio, aprovada em uma reunião de moradores em agosto. A decisão foi tomada com 52 votos favoráveis de um total de 58. Em 17 de dezembro, ela desapareceu após descer ao subsolo do prédio para verificar um problema no fornecimento de energia elétrica de seu apartamento. A polícia segue investigando o caso e não descarta nenhuma hipótese.