As defasagens dos preços dos combustíveis no país em relação à cotação internacional dispararam nesta segunda-feira (9) com a escalada do petróleo após ataque a instalações produtoras no Irã durante o fim de semana.
O barril tipo Brent, referência internacional, chegou a ser cotado a US$ 119,46 nesta segunda-feira (9), e por volta das 15h estava a cerca de US$ 97.
Na abertura do mercado desta segunda, o litro da gasolina vendido nas refinarias da Petrobras estava em R$ 1,22 por litro, ou 49%, mais barato do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
No caso do diesel, que já vinha sendo vendido com elevada defasagem antes mesmo do início da guerra no Irã, a diferença era de R$ 2,74 por litro, ou de 85%.
Se considerados todos os vendedores de combustíveis do país, as diferenças são menores (46% na gasolina e 78% no diesel), principalmente porque a Acelen, maior refinaria privada brasileira, vem promovendo reajustes.
Nesta segunda, anunciou a seus clientes o terceiro aumento no preço do diesel desde o início da guerra -desta vez, válido apenas para pontos de entrega fora da Bahia, onde está a unidade. A empresa já aumentou o preço da gasolina duas vezes no período.
Em análise distribuída na manhã desta segunda, a corretora Ativa diz que o cenário “coloca mais pressão sobre a Petrobras e também sobre o mercado de juros”. O texto pondera, porém, que o primeiro impacto fica anulado pela decisão da estatal de não repassar imediatamente a alta.
Na sexta (6), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou que a estatal ainda considera prematuro falar em reajustes. “A política de repasses nervosos da variação do preço do petróleo para cima é coisa do passado”, afirmou ela, em entrevista coletiva.
Antes, em conferência com analistas, ela disse que a estatal ainda não vê resposta para a principal dívida neste momento: “qual a tendência [de preços do petróleo], onde isso vai ficar, é spike [pico] momentâneo?”
“Se a lógica aplicada na sexta-feira for mantida, a empresa deverá ignorar a explosão nas defasagens”, escreveram os analistas da Ativa Corretora.
Outros combustíveis, porém, têm reajustes automáticos relacionados ao preço do petróleo. É o caso do QAV (querosene de aviação), que é ajustado uma vez por mês e deve sofrer grande influência da escalada nas cotações.
Hoje uma grande exportadora de petróleo, a estatal tem mais margem para segurar os preços dos combustíveis em períodos de elevada volatilidade, pois compensa essas perdas com lucros mais elevados nas exportações de óleo cru.
Por isso, suas ações reagiram positivamente à escalada do petróleo nas últimas horas. Por volta das 14h desta segunda, os papéis preferenciais, que não têm direito a voto mas têm preferência nos dividendos, subiam mais de 4% na B3.
Por outro lado, especialistas no setor de combustíveis temem que o cenário possa impactar importações privadas de combustíveis, principalmente de diesel, mercado em que cerca de um quarto do abastecimento depende de compras no exterior.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), afirmou nesta segunda que “está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país”.
A afirmação foi feita em nota que negava rumores de falta de diesel no Rio Grande do Sul, surgidos durante o fim de semana. A agência afirmou que sua equipe técnica tem avaliado os estoques e os contratos de compra e venda de produtos pelas distribuidoras para acompanhar a situação.