Defesa do homem condenado por matar ex-sogro em Goiânia vai pedir anulação do júri

INSATISFAÇÃO

Defesa de Felipe Gabriel Jardim, que matou ex-sogro João do Rosário Leão, diz que Justiça ignorou nulidades processuais

Defesa do homem condenado por matar ex-sogro em Goiânia vai pedir anulação do júri (Foto: Reprodução)

A defesa do ex-servidor público Felipe Gabriel Jardim, condenado por matar o ex-sogro João do Rosário Leão, 63, em uma farmácia do setor Bueno (em Goiânia), vai pedir a anulação do julgamento que sentenciou o réu a 17 anos e quatro meses de reclusão. O júri começou na segunda-feira (19) e foi concluído nas primeiras horas da madrugada de terça (20).

“Entre as nulidades, destaca-se a parcialidade do magistrado que presidiu a sessão, com interrupções reiteradas da defesa, especialmente durante a inquirição de testemunhas defensivas e de assistentes técnicos (médico psiquiatra e psicóloga forense), além de cerceamento da palavra dos advogados, em afronta à paridade de armas e às prerrogativas profissionais”, diz o comunicado assinado pelos advogados Ana Cláudia Alves, Allan Hahnemann e Diogo Jorge.

O recurso da defesa sustentará que a decisão contraria o conjunto de provas técnicas, “incluindo laudo psicológico do Tribunal de Justiça de Goiás e manifestações do psiquiatra Hewdy Logo e da psicóloga Isabella Aguiar”.

“Registra-se ainda que houve manifestação técnica convergente subscrita por profissional indicada pela própria assistência de acusação, no sentido de que, ao tempo dos fatos, Felipe Gabriel não possuía plena capacidade de compreensão do caráter ilícito da conduta nem de autodeterminação, em razão de graves perturbações e doenças mentais diagnosticadas”, complementa a defesa.

Filha de João do Rosário, morto pelo ex-genro em Goiânia, faz relato triste do Natal da família (Foto: arquivo pessoal)

Insatisfação dos dois lados

Assim como a defesa do réu, a acusação também ficou insatisfeita com o desfecho do júri concluído nesta terça. Tanto o Ministério Público, quanto o assistente de acusação que representa a família de João do Rosário, advogado Emanuel Rodrigues, entenderam que a pena imputada a Felipe foi incompatível com a “brutalidade” do crime.

“É revoltante. É indignante. É desumano. Como acreditar que a vida do meu pai valha tão pouco diante da lei? Como engolir que alguém capaz de tamanha crueldade tenha uma pena que sequer se aproxima da gravidade do que ele fez?”, questionou a farmacêutica Kennia Yanka Leão, filha da vítima e ex-namorada do assassino.

“É, paizinho. A Justiça falhou. Falhou com nossa família. Falhou quando transformou um crime brutal em um número ridiculamente pequeno diante da barbárie cometida. Falhou quando mostrou que a vida de um homem honesto pode ser descartada com uma sentença leve demais para um ato monstruoso”, desabafou.

T CSM

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