Presidente interina anuncia mudanças estratégicas no alto escalão em meio a pressão dos EUA e disputa sobre acordo petrolífero
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, promoveu uma reorganização nos postos-chave da segurança e da área econômica do governo. Na noite de terça-feira, 6, ela anunciou a substituição do comando da Guarda de Honra Presidencial e da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), que passarão a ser chefiadas pelo general Gustavo González López, segundo a televisão estatal venezuelana.
A movimentação ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar ter obtido o compromisso de Caracas para o envio de milhões de barris de petróleo ao mercado americano, decisão que ampliou a pressão externa sobre o governo interino.
González López é alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia por acusações de violações de direitos humanos e repressão a opositores, especialmente durante os protestos antigoverno de 2014. Ex-chefe dos serviços de inteligência no governo de Nicolás Maduro, ele vinha atuando ao lado de Delcy em funções estratégicas ligadas à estatal petrolífera PDVSA. O general substitui Javier Marcano Tábata, também sancionado por Washington.
Considerado próximo de Diosdado Cabello, ministro do Interior e uma das figuras mais influentes do chavismo, González López chega ao posto em um momento de recomposição interna. Ainda não está claro se a escolha representa um gesto de alinhamento com Cabello ou um movimento próprio de Delcy para consolidar poder.
Paralelamente, Rodríguez anunciou alterações no comando econômico. O ex-presidente do Banco Central da Venezuela, Calixto Ortega, foi nomeado vice presidente da Economia, substituindo a própria Delcy, que acumulava o cargo enquanto chefiava o Ministério de Hidrocarbonetos antes da operação militar americana que resultou na captura de Maduro.
Reação ao anúncio de Trump
As mudanças ocorrem após Trump declarar que a Venezuela concordou em enviar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, com recursos administrados por Washington “em benefício dos povos dos dois países”. A fala intensificou as disputas políticas e provocou reação imediata em Caracas.
Em discurso televisionado, Delcy afirmou que “nenhuma potência estrangeira governa a Venezuela”.
Tribuna Livre, com informações da Agência France Presse










