FOLHAPRESS
Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo mantiveram, nesta terça-feira (29), a decisão de levar a júri popular os policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, réus sob acusação da morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22.
Ele foi morto em novembro de 2024 após uma abordagem em um hotel na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo.
A decisão foi confirmada pela defesa da família de Marco Aurélio e pelo advogado do soldado Macedo, João Carlos Campanini.
A defesa do PM disse respeitar, mas não concordar com o entendimento da Justiça. “Os aspectos da legítima defesa estão devidamente comprovados nos autos e os acusados não deveriam ser submetidos a júri popular”, afirmou.
A pronúncia, decisão que envia os réus a júri, foi proferida em fevereiro pela juíza Luiza Torggler Silva. A defesa recorreu, o que levou o caso à análise dos desembargadores. Ainda não há data marcada para o julgamento.
Os policiais respondem ao processo em liberdade. Eles não chegaram a ser presos pela morte, mesmo após as polícias Civil e Militar e o Ministério Público concluírem que houve homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar.
Prado foi preso recentemente após se envolver em um episódio de violência doméstica, mas foi solto por decisão de desembargadores.
O processo administrativo aberto contra os PMs recomenda a expulsão de Macedo e o arquivamento do procedimento contra Prado. A decisão necessita da assinatura do comando da Polícia Militar.
Para a magistrada de 1º grau, Macedo, com “ânimo homicida, por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima”, matou o estudante, mediante disparo de arma de fogo.
Já Prado, conforme ela, concorreu para a prática do crime de homicídio, prestando auxílio moral e material a Macedo, na medida em que se aproximou do suspeito e o agrediu com um violento chute, agravando o embate corporal. Na sequência, a vítima foi atingida pelo disparo efetuado por seu colega de farda.
O estudante e os dois policiais se cruzaram na madrugada de 20 de novembro de 2024. O estudante caminhava pela avenida Conselheiro Rodrigues Alves em direção à hospedaria onde estava uma jovem com quem mantinha relacionamento.
Macedo e Prado, que estavam em uma viatura, pararam Marco Aurélio, que deu um tapa no retrovisor.
Macedo, então, desceu e passou a persegui-lo. O estudante correu para o hotel. Lá, encurralado em um portão, levou um tiro na barriga disparado pelo soldado.
Marco Aurélio foi levado para o Hospital Ipiranga, na zona sul, a cerca de 6 quilômetros de distância, mesmo tendo sido baleado em uma rua com uma unidade médica e diversas outras nas proximidades. O Hospital Ipiranga, conforme relatos posteriores, não tinha recursos para receber o estudante naquele momento. A emergência estava superlotada e o aparelho de tomografia, inoperante.