DF registra alta de 16% na taxa de condomínio, aponta estudo

DF registra alta de 16% na taxa de condomínio, aponta estudo
DF registra alta de 16% na taxa de condomínio, aponta – Reprodução

Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 o Distrito Federal registrou uma alta de 16% na taxa média de condomínio, segundo um levantamento da empresa Loft. Embora o valor médio seja de R$ 466 reais, a região administrativa do Plano Piloto desponta entre os preços mais altos. Apesar da redução de 21%, o Noroeste segue com a taxa mais alta de R$ 1.500 reais. Mas o que chama atenção no estudo é o aumento crescente na região da Samambaia Norte e na parte Sul de Águas Claras com alta de 75%. 

Além de liderar na taxa condominial, o Noroeste também registra o maior valor médio de venda de imóveis da localidade, com tíquete de R$ 2,6 milhões. No ranking das taxas de condomínio, aparecem na sequência a Asa Sul, com média de R$ 1.113, e a Asa Norte, com R$ 855. O levantamento foi realizado pela Loft, empresa de tecnologia e serviços financeiros que atende imobiliárias, com base na análise de dois mil anúncios publicados nas principais plataformas digitais que operam no DF.

Segundo o gerente de dados da Loft,  Fábio Takahashi, o aumento está relacionado a dois fatores: a valorização dos imóveis à venda e o mercado de trabalho. Ele explica que quando o mercado imobiliário é valorizado isso afeta também as taxas de condomínio. As pessoas estão pagando mais caro nos imóveis e buscam maior qualidade nos serviços, como manutenções frequentes, melhoria nas áreas de lazer e segurança do local. 

“O segundo fator que a gente identifica tem a ver com o mercado de trabalho. A folha de pagamento é um dos principais custos de um condomínio, e hoje vivemos um momento de mercado aquecido. Estamos com uma das menores taxas de desemprego da série histórica, o que pressiona os salários e, consequentemente, aumenta as despesas condominiais. Então vemos esses dois fatores atuando diretamente para essa alta”, explicou.

Já em relação à redução nas tarifas de condomínio do Noroeste, Fábio esclarece que a região cresceu muito nos últimos anos e é normal ter um ajuste dos preços após ciclos de valorização. Sobre os aumentos mais significativos, em especial na Samambaia Norte, ele pontua que o valor médio na área é de R$ 350 reais mensais, o que abre mais brechas para aumentos. 

Outra explicação é o fato de o local estar recebendo novos empreendimentos, o que muda as características dos imóveis e eleva as taxas de condomínio. De acordo com o gerente de dados, a tendência é que as tarifas permaneçam em alta devido à valorização do setor imobiliário e do mercado de trabalho, que não demonstra sinais de mudanças significativas.

Para Fábio, a crescente não gera uma desistência do imovel por esse motivo, mas leva as pessoas a pesquisarem em mais locais antes de tomar uma decisão final. Nas grandes capitais é esperado um maior número de edifícios e consequentemente locais com taxas de condomínio, o que torna difícil escapar desse sistema.

No estudo, Brasília aparece com o menor preço médio. Outras cidades ocupam as primeiras colocações como: Rio de Janeiro (R$ 948,00), São Paulo (R$ 928,00), Florianópolis (R$ 754,00) e Belo Horizonte (R$ 752,00). Isso acontece porque o levantamento considera não apenas o Plano Piloto, mas todas as regiões administrativas do DF. 

“A amostra de Brasília é mais heterogênea, já que inclui também cidades satélites, onde os valores de condomínio são mais baixos. Esse conjunto acaba puxando a média geral para baixo. Se a análise considerar apenas o Plano Piloto, por exemplo, as taxas aparecem em um patamar mais elevado”, afirmou. 

Por fim, o especialista destacou a importância das pesquisas em relação às taxas de condomínio. Outros estudos da empresa evidenciam que o segmento é um dos mais relevantes para as pessoas durante a busca por um imovel. Por ser tratar se uma despesa fixa, impacta diretamente no orçamento das famílias. “É por isso que realizamos esse estudo: para ajudar quem está buscando imóvel a entender melhor as diferenças entre as regiões e tomar uma decisão mais consciente na hora de fechar negócio”, concluiu. 

O impacto no bolso 

A dona de casa Maria Alves, de 58 anos, é moradora da parte sul de Águas Claras há 17 anos e sentiu no bolso o peso do aumento de 75% na taxa de condomínio no último ano. Segundo ela, o valor que não chegava aos R$ 700 reais em 2025 sofreu um reajuste em janeiro e passou a custar R$ 866 reais. O valor está na média estabelecida na região de R$ 860 reais. Ela contou ainda que não considera a tarifa compatível com o serviço ofertado no prédio.

“A área de lazer não é completa, quase não tem nada. A academia vive com problemas, fizeram uma reforma pequena na churrasqueira, e a piscina é bem pequena. Então, não tem tanta estrutura assim para justificar um condomínio tão alto.

Eu ouço muita gente reclamando da taxa. E o condomínio tem pesado mais no orçamento no meu orçamento, principalmente porque ainda tem água e luz, que também encareceram bastante”, comentou. 

Leonardo Rodrigues, de 54 anos, é aposentado e vive no Noroeste há três anos. Ao Jornal de Brasília ele mencionou que paga cerca de R$ 1.046 reais pelo condomínio, valor abaixo da média de R$ 1.500. O homem relatou que foi realizada uma assembleia com prestação de contas e renovação das taxas, mas o reajuste seguiu dentro do acúmulo da inflação.Para ele o valor cobrado está de acordo com os benefícios ofertados no local. 

“Quando eu cheguei aqui, há três anos, o condomínio era R$ 606 reais. Hoje ele praticamente dobrou. Eu acredito que isso tenha acontecido principalmente por causa do aumento no setor de serviços. As empresas que prestam serviço para o condomínio ficaram mais caras, e acho que esses custos impactaram bastante no valor final”, falou. 

Corretor explica aumento

O corretor imobiliário Carlos Thomé é especialista na região da Samambaia e explica o aumento das tarifas na área: a RA que tinha imóveis mais simples passou a receber prédios novos como serviços como condomínios estilo clube, portaria 24h, áreas de lazer completas, mais funcionários e manutenções. 

“Outro ponto importante é que muitos condomínios da região saíram do período pós-pandemia com valores artificialmente baixos. Agora estão realizando correções para recompor caixa e criar fundo de reserva. Em Samambaia isso aparece mais porque são prédios relativamente novos e com estrutura completa, o que naturalmente exige manutenção contínua”, explicou.

Para o corretor, apesar do aumento chamar atenção percentualmente, na prática o custo final ainda mantém a região competitiva pelo custo-benefício final. a respeito do impacto no mercado ele comenta: “o impacto existe, mas não chega a travar o mercado. O que acontece é uma mudança no comportamento do comprador. Hoje ele compara mais e negocia mais. O mercado entende que foi um ajuste necessário e não uma valorização artificial”.

Carlos afirma que o público da Samambaia são de famílias jovens e pessoas em busca do primeiro imóvel, o que pode afastar esses compradores em um primeiro momento. No entanto, ele garante que não há desistência e sim a troca de de um prédio com lazer completo para um mais simples. “Isso acontece porque a região ainda tem ticket de entrada acessível e boa liquidez de locação. O aluguel acompanha o crescimento urbano e o metrô influencia diretamente essa procura”, esclareceu. 

“Samambaia vive hoje um momento de expansão urbana muito claro. A cidade possui uma das maiores áreas ainda disponíveis para novos projetos habitacionais no Distrito Federal, o que naturalmente atrai incorporadoras e aumenta o número de lançamentos”, finalizou.

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress