O Distrito Federal registrou um aumento significativo no número de recém-nascidos atendidos pelo programa de Triagem Neonatal em 2025. Foram realizados 39.891 testes, contra 36.858 no ano anterior, um crescimento de mais de três mil exames. Esse avanço é atribuído à maior adesão da rede privada ao serviço público e à ampliação do rol de doenças rastreadas, que agora inclui cerca de 62 condições.
O histórico de expansões inclui, em 2019, a inclusão de doenças lisossomais e da imunodeficiência combinada grave (SCID). Em 2021, foi incorporada a atrofia muscular espinhal (AME) e a adesão à Lei Federal nº 14.154, que estabelece um rol mínimo nacional implementado por etapas. Atualmente, o DF está na etapa 5 dessa legislação, posicionando-se entre as unidades da Federação com maior abrangência na triagem neonatal.
O médico Lourenço Evangelista, assessor técnico do Laboratório Especializado em Triagem Neonatal — Unidade Genética, explicou que a principal causa do crescimento é a maior procura da rede privada pelas unidades básicas de saúde (UBSs) para coletas, pois o teste público oferece mais exames do que os disponíveis na rede privada ou planos de saúde. O número de coletas nessas unidades saltou de pouco mais de 3 mil para mais de 5 mil.
Desde 2023, novas incorporações incluem defeitos primários da imunidade, atrofia muscular espinhal e doenças lisossômicas de depósito. Evangelista relatou 14 casos de AME diagnosticados, alguns sem sintomas, permitindo tratamento precoce. Ele enfatizou que a triagem rastreia doenças tratáveis, trazendo benefícios reais, como casos de sucesso onde o tratamento inicia antes dos sintomas.
Um exemplo é o da bebê Anny Kimberly Alves, de um ano, diagnosticada com atrofia muscular espinhal sete dias após o nascimento graças ao teste. Sua mãe, Yasmin Alves, de 20 anos, moradora do entorno do DF, destacou a importância do exame, apesar do momento difícil. Anny recebe acompanhamento no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, incluindo fisioterapia, fonoaudiologia e suporte nutricional, o que facilita seu desenvolvimento.
O programa funciona com amostras coletadas em hospitais, maternidades, casas de parto e UBSs, encaminhadas ao laboratório. Na rede privada, os pais geralmente levam a criança às UBSs após a alta. O serviço processa cerca de 4 mil cartões por mês, com códigos únicos para rastreamento. A coleta inicial ocorre entre 24 e 48 horas após o nascimento, com protocolos para prematuros e internados.
A bióloga Gabriella Vasconcelos explicou o cuidado com todo o processo, desde a coleta até o acompanhamento, garantindo transporte refrigerado e resultados rápidos. Em casos de alteração, há contato imediato com a família para coletas urgentes. O diagnóstico precoce permite que crianças afetadas levem uma vida mais normal, evitando dependências graves.
Com informações da Agência Brasília