O dólar registra forte queda nesta segunda-feira (9), reagindo a um alerta de autoridades chinesas a instituições financeiras do país para reduzir a exposição a títulos do Tesouro americano, os Treasuries.
A participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em um evento promovido pela ABBC (Associação Brasileira de Bancos), assim como a temporada de balanços, também estão no radar dos analistas.
Às 14h, a divisa norte-americana recuava 0,52%, cotada a R$ 5,191, a caminho de fechar no menor patamar desde maio de 2024 -na mínima do dia, a moeda chegou a R$ 5,175. No exterior, o dólar também perde força: o índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,61%.
No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,95%, aos 184.695 pontos, com o mercado atento à divulgação de resultados e impulsionado pelo desempenho positivo de Vale e Itaú.
O pregão repercute um alerta da China para que bancos limitem a compra de Treasuries, os títulos do Tesouro americano, em meio a dúvidas crescentes sobre a atratividade dos ativos dos Estados Unidos.
Segundo a Bloomberg, reguladores chineses aconselharam instituições financeiras a reduzir a exposição a esses papéis devido a preocupações com concentração de risco e volatilidade. Autoridades pediram que os bancos limitem novas aquisições de títulos do governo americano e orientaram instituições com maior exposição a reduzir suas posições.
O Banco Popular da China e a Administração Nacional de Regulação Financeira não comentaram o assunto.
“Esse movimento pressiona o dólar, uma vez que o maior comprador de Treasuries -e grande gerador de demanda por dólares- reduz sua atuação. Também pode aumentar o medo e a volatilidade nos mercados, colocando em xeque a confiança na capacidade dos Estados Unidos de financiar sua dívida”, diz Higor Rabelo, especialista da Valor Investimentos.
Ainda no cenário internacional, tensões políticas e econômicas nos Estados Unidos continuam no radar, com atenção redobrada para um possível acordo nuclear com o Irã.
Delegações de ambos os países se reuniram de forma indireta na última sexta em Mascate, capital de Omã. Nesta segunda, o Irã fez uma oferta pública de concessão nas negociações, sugerindo diluir seu estoque de urânio enriquecido para evitar seu uso militar.
Não houve nenhum avanço significativo, mas os operadores estão atentos a um desenrolar positivo nas negociações.
No ambiente doméstico, falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em São Paulo, foram acompanhadas por investidores, em busca de sinais da política monetária da autarquia.
Galípolo afirmou que o atual momento da política monetária, com indicação de corte de juros pela autoridade monetária, não deve ser interpretado como uma “volta da vitória”. Segundo ele, os dados ainda mostram resiliência da atividade econômica, o que exige cautela na condução da política de juros.
“A gente está numa situação diferente do que estávamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros)… Mas também esta não é uma volta da vitória, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliência econômica, por isso que a gente está falando de um ajuste”, afirmou.
A fala está em linha com a ata do Copom divulgada na semana passada. O documento sinalizou um possível corte da taxa Selic em março, após melhora do cenário inflacionário, mas destacou a necessidade de manter os juros em patamar elevado até que o processo de convergência da inflação ao centro da meta esteja consolidado.
O alvo central de inflação do Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para analistas, a ata reforçou a perspectiva de início do ciclo de cortes, mas deixou em aberto o ritmo do afrouxamento monetário, que seguirá dependente dos dados.
A temporada de balanços também segue no radar de analistas. Após Santander, Itaú e Bradesco, o BTG Pactual divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025.
O banco registrou alta anual de 40,3% no lucro, alcançando R$ 4,6 bilhões no período, levemente acima da expectativa de R$ 4,56 bilhões apurada pela LSEG. Apesar do resultado, as ações do banco recuavam 2,15% por volta das 14h01.
Também estão previstos para esta segunda-feira os balanços de BB Seguridade, Motiva e Banco Pan, que podem influenciar o desempenho do mercado ao longo do dia.