Dólar e Bolsa caem com guerra no Oriente Médio em foco

O dólar está em queda nesta sexta-feira (27), com investidores ainda mantendo a guerra no Oriente Médio como principal norteador das negociações.

A expectativa é por um acordo que encerre o conflito —e, assim, retire incertezas sobre o mercado de energia. Em mais um capítulo da nebulosa negociação entre Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump adiou em 10 dias os ataques contra o sistema energético da teocracia.

Às 11h33, a moeda norte-americana recuava 0,29%, cotada a R$ 5,240. Já a Bolsa perdia 0,33%, a 182.128 pontos.

A pausa dos ataques dos Estados Unidos às bases energéticas iranianas vai se estender até a segunda-feira após a Páscoa, 6 de abril. A medida foi anunciada pelo presidente na plataforma Truth Social e, segundo ele, as conversas com o Irã “vão muito bem, ao contrário do que diz a mídia das fake news”.

Trump havia ameaçado atacar o sistema de energia do país persa, uma promessa para o caso de o Irã não reabrir o estreito de Hormuz. O ultimato foi feito no sábado (21) e suspenso na segunda (23), com pausa até então prevista para este sábado (28).

Trump havia apresentado, por meio do Paquistão, um plano de 15 pontos que incluía itens já acomodados pelo Irã em negociações anteriores, como a renúncia à bomba atômica, mas também diversos temas inaceitáveis para o regime, como o total desmantelamento de suas capacidades nucleares e de seu programa de mísseis ofensivos. Na quinta, o Irã deixou claro que rejeita a proposta.

Segundo a agência de notícias Reuters, Teerã considerou a proposta “unilateral e injusta”, mas deixou a porta aberta para negociações. Por sua vez, a iraniana Tasnim informou que a teocracia já enviou, por meio de turcos e paquistaneses, sua visão maximalista para o fim do conflito.

“O mercado acompanha o desencontro de notícias: ora o cessar-fogo está avançando, ora não está. Isso traz muita incerteza e volatilidade”, diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

Com mais de 90% do tráfego no estreito de Hormuz interrompido, os preços do petróleo dispararam e voltaram a superar US$ 100 o barril na quinta. Nesta manhã, chegaram a ultrapassar o patamar de US$ 110.

O repasse para combustíveis —e o possível repique inflacionário em decorrência disso— tem elevado a pressão econômica sobre Trump a poucos meses da eleição de meio de mandato. Ele tem feito repetitidas tentativas de acalmar o mercado com anúncios de negociações, mas as negativas do governo iraniano aumentam as incertezas entre os operadores.

Em pronunciamento na televisão estatal, o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari disse, na quarta, que uma trégua não está no horizonte.

Outro fator de incerteza despontou nesta sexta. Uma reportagem do Wall Street Journal apontou que o Pentágono avalia o envio de até 10 mil soldados adicionais ao Oriente Médio, para oferecer a Trump mais opções militares.

Se confirmada a medida, o contingente mais que dobraria as 7.000 tropas anunciadas ou ainda examinadas pelo governo Trump para o deslocamento.

Como de costume com o governo Trump, há muita nebulosidade a respeito das reais intenções de Washington, mas o contingente, somado ao que já está nas bases regionais e navios deslocados para a região, sugere que a pressão pode se transformar de fato em ação.

Diante disso, “o sentimento predominante nos mercados é de cautela”, diz Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, “com fluxos mais defensivos direcionados para ativos considerados seguros”.

“A valorização do petróleo e as tensões no Oriente Médio seguem pressionando moedas emergentes, ao elevar preocupações com inflação global e política monetária.”

Na visão do J.P. Morgan, o cenário do Brasil permanece positivo, se beneficiando mesmo com a instabilidade global. “Dentro dos emergentes, a América Latina funciona como um ‘porto seguro’ e, dentro da região, o Brasil está melhor posicionado. Esses fluxos têm contribuído para que o país esteja entre os mercados com melhor desempenho tanto no acumulado do ano quanto no mês.”

Em relatório a clientes nesta manhã, o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, citou o dólar em torno de R$5,20 ou menos como ponto de compra de moeda por importadores. No caso dos exportadores, o ponto de venda de dólares estaria em torno de R$5,28 ou um pouco mais.

T CSM

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