Dólar ronda estabilidade e Bolsa cai após dados de inflação acima do esperado; Bradesco dispara

O dólar reverteu os ganhos da manhã desta sexta-feira (27) e passou a operar em estabilidade, com investidores avaliando dados de inflação do Brasil acima do esperado.

O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerado uma prévia da inflação oficial, acelerou a 0,84% em fevereiro, segundo divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã. A expectativa era de alta de 0,57%.

Às 14h54, a moeda tinha variação negativa de 0,01%, cotada a R$ 5,138, em dia de volatilidade por causa da formação da Ptax de fim de mês.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Já a Bolsa caía 0,87%, a 189.342 pontos, apesar da disparada dos papéis do Bradesco, em reação ao anúncio do conglomerado Bradsaúde.

Pressionada por mensalidades escolares e passagens aéreas, a inflação medida pelo IPCA-15 mostrou uma aceleração em relação aos 0,2% registrados em janeiro. No intervalo de previsões, o índice também superou a maior das estimativas, que era de 0,65%, segundo a agência Bloomberg.

No acumulado de 12 meses, o movimento foi diferente. O índice desacelerou a 4,1%, após marcar 4,5% até janeiro. A perda de força no acumulado está associada ao fato de que o IPCA-15 havia subido ainda mais em fevereiro do ano passado (1,23%).

Agora, essa variação mensal deixa o cálculo de 12 meses, sendo substituída por uma menor (0,84%).

O dado está sendo digerido pelos operadores à luz das decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) sobre a taxa Selic, hoje em 15% ao ano. O colegiado baliza o patamar dos juros a partir dos números de inflação e já sinalizou um corte no próximo encontro, em março.

Até esta manhã, a maioria dos agentes apostava que a redução seria de 0,5 ponto percentual. O IPCA-15, porém, causou impacto no mercado de renda fixa, com as taxas de DI (depósitos interfinanceiros) disparando conforme investidores reduziam apostas do corte de maior magnitude.

A taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,625%, em alta de 0,14 ponto percentual em relação aos 12,483% da véspera.

Na análise de André Valério, economista sênior do Inter, a leitura do IPCA-15 é de viés negativo, “quantitativa e qualitativamente”, mas foi bastante influenciada pela sazonalidade.

“De toda forma, o processo de desinflação persiste, com o IPCA-15 de hoje bem abaixo do de fevereiro do ano passado e abaixo da média para um mês de fevereiro, o que sugere a continuidade da desinflação, apesar da volatilidade causada pela sazonalidade”, afirma, acrescentando que não espera que o resultado desta sexta influecie significativamente a decisão do Copom de março.

“Esperamos que o comitê corte a Selic em 0,50 ponto na próxima reunião, mas mantendo um discurso relativamente cauteloso. Por outro lado, a manutenção do real apreciado, na faixa dos R$ 5,15, trará tranquilidade adicional para o comitê iniciar o ciclo de ajustes.”

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -cuja taxa hoje está na faixa de 3,5% e 3,75%- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

Nesta manhã, a moeda enfrenta volatilidade por causa da formação da Ptax de fevereiro. Conforme agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, é de se esperar maior pressão sobre as cotações nos horários próximos às janelas de coleta do BC, às 10h, 11h, 12h e 13h.

Na ponta corporativa, o Bradesco é destaque. O banco anunciou nesta manhã que vai fazer reunir seus negócios de saúde em um único conglomerado, chamado Bradsaúde e listado no Novo Mercado da B3, de olho numa venda parcial de suas ações no futuro.

De acordo com o banco, a empresa resultante terá, com base em dados de 2025, receita de R$ 52 bilhões, lucro de R$ 3,6 bilhões, 13 milhões de usuários, cerca de 3.600 leitos de hospitais e 35 clínicas.

Quando as ações da Bradsaúde começarem a ser negociadas, a empresa deve ter um valor de mercado entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, segundo estimativa do Bradesco. O presidente da nova empresa será Carlos Marinelli, hoje presidente da Bradesco Saúde.

Os papéis ordinários e preferenciais do banco tinham alta de 1,42% e 2,14%, respectivamente.

Odontoprev, uma das empresas agora sob o guarda-chuva do Bradsaúde, avançava 15%.

T CSM

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