O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse novamente nesta quarta-feira (11) que a guerra conduzida ao lado de Israel contra o Irã pode terminar “em breve”. A declaração foi feita em entrevista ao portal americano Axios, na qual o republicano afirmou que a ofensiva militar “está avançada” e que restam “poucos alvos estratégicos” no país.
“Em breve terminará [a guerra]. Quando eu quiser que termine, terminará. Não resta praticamente nada para atacar”, disse.
Segundo Trump, a operação militar iniciada em 28 de fevereiro – batizada pelo Pentágono de Operação Fúria Épica – está adiantada em relação ao cronograma previsto. O presidente reiterou que os danos causados às estruturas iranianas superaram as expectativas iniciais.
“Estamos muito adiantados em relação ao cronograma previsto. Causamos mais danos do que acreditávamos ser possível”, declarou Trump.
Os primeiros ataques conduzidos pelos EUA e Israel atingiram instalações militares, centros de comando e estruturas ligadas ao programa de mísseis do regime iraniano. No primeiro dia da ofensiva, os militares eliminaram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, além de integrantes da cúpula militar do país.
O governo Trump sustenta que o objetivo da campanha em curso é destruir a capacidade iraniana de produzir armas nucleares e neutralizar sistemas de mísseis considerados ameaça direta aos Estados Unidos e a aliados na região. Trump já havia dito na segunda-feira (9) que a guerra contra o regime islâmico vai acabar “em breve”.
Impactos profundos no setor petrolífero
A guerra em curso no Oriente Médio está gerando fortes impactos no mercado global de petróleo. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), países membros da organização decidiram liberar nesta semana 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas para compensar a queda no abastecimento causada pelo bloqueio pelo Irã do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo.
O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou em comunicado que a decisão foi aprovada por unanimidade pelos 32 países membros e tem como objetivo evitar uma crise energética global. Segundo ele, antes do conflito em curso no Oriente Médio, cerca de 20 milhões de barris por dia – entre petróleo bruto e derivados – eram exportados pelo Estreito de Ormuz, volume que caiu para menos de 10% após o início da guerra.
Birol destacou que a reabertura do Estreito de Ormuz é considerada essencial para normalizar o mercado. De acordo com a agência, além do petróleo, o fornecimento de gás natural liquefeito também foi afetado, já que aproximadamente 20% do GNL mundial tem origem no Golfo Pérsico, principalmente no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.
Nos Estados Unidos, o conflito ocorre em meio a preocupações políticas internas do governo Trump. O aumento do preço da gasolina no país provocado pela crise no Golfo pode influenciar o cenário das eleições legislativas de novembro, nas quais o governo busca manter maioria no Congresso.