A eficácia de uma fita antimicrobiana de cobre para reduzir a contaminação em ambientes hospitalares foi validada por uma pesquisa realizada em um hospital universitário no Brasil, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). Os resultados do estudo, que ganhou repercussão internacional, foram publicados em dezembro de 2025 na revista científica Antibiotics.
Detalhes e resultados da pesquisa
O estudo, intitulado Atividade antimicrobiana e caracterização de uma fita polimérica complexada com cobre validada para aplicações em desinfecção de superfícies, foi conduzido em condições clínicas reais. Durante 19 semanas, a tecnologia foi aplicada em superfícies de alto toque, como maçanetas e torneiras, demonstrando uma redução significativa e sustentada da carga microbiana. A validação em um ambiente hospitalar real, com variáveis como umidade e fluxo de pessoas, reforça a robustez dos achados.
Tecnologia e funcionamento
A tecnologia, desenvolvida na França, consiste em um revestimento adesivo flexível que incorpora cobre, um metal de conhecida ação antimicrobiana, a uma matriz polimérica. A principal vantagem da solução é sua ação passiva e contínua, eliminando microrganismos que entram em contato com a superfície sem a necessidade de intervenção constante, ao contrário dos métodos de desinfecção tradicionais.
Apoio institucional e colaboração internacional
A pesquisa foi coordenada por Andreanne Vasconcelos, biomédica com doutorado pela Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora na University of Lincoln, no Reino Unido. Ela também é CEO da empresa People&Science Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, sediada na UnB, e foi reconhecida com o Prêmio FAPDF 2025 na categoria Startup Inovadora — Não Acelerada.
Fomento da FAPDF e parcerias
O suporte financeiro da FAPDF, concedido através do edital Demanda Espontânea, foi crucial para a validação da atividade antimicrobiana tanto em laboratório quanto no ambiente hospitalar. Segundo a pesquisadora, o fomento foi essencial para o projeto e para sua trajetória. A fundação também viabilizou uma visita técnica à University of Lincoln pelo edital FAPDF Participa, fortalecendo a colaboração internacional que envolveu instituições do Brasil e do Reino Unido.
Leonardo Reisman, presidente da FAPDF, destacou que o reconhecimento internacional da pesquisa demonstra como o investimento público em ciência gera resultados relevantes para a sociedade e evidencia a capacidade dos pesquisadores locais de atuarem em redes globais.
Próximos passos
A equipe de pesquisa planeja expandir os estudos da fita antimicrobiana para outros ambientes, como transporte público e instituições de ensino. Os próximos passos também incluem a busca pelo registro da tecnologia junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a articulação com o poder público para uma futura incorporação da solução no Sistema Único de Saúde (SUS).