Grupo que diz ser do Comando Vermelho tentou cobrar por acesso às praias remotas de Paraty

Um grupo que diz ser do Comando Vermelho tentou impôr taxas de acesso às praias da região costeira de Paraty, município a 236 km do Rio de Janeiro, em outro braço da expansão da facção na região.

A denúncia foi feita por moradores e visitantes à Polícia Militar.

A cobrança não seria direta feita aos turistas, mas aos barqueiros que os transportam de Paraty às praias mais distantes do centro. Com isso, os transportadores seriam obrigados a cobrar mais caro pelo serviço, passando parte do valor ao grupo.

Um policial a par dos relatos deu o exemplo de que uma viagem que custa R$ 50 subiria para R$ 65.

A notícia da tentativa de cobrança, motivada pelo aumento do fluxo de turistas no fim de ano, circulou por comunidades da região costeira de Paraty em dezembro.

No dia 30, moradores realizaram uma manifestação e relataram a tentativa de extorsão à Polícia Militar, que reforçou o policiamento em praias costeiras, como a praia do Sono. Os moradores ouvidos pela reportagem afirmam que a cobrança foi interrompida, por ora.

Desde o início do ano, duplas de policiais monitoram praias da região costeira para tentar impedir nova imposição de taxas.

Também há relatos de cobrança em estacionamentos e no comércio.

No último dia 13, após reportagem da Folha mostrar a expansão do CV em Paraty, a 2ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar), responsável pelo policiamento na cidade, enviou ofício ao comando da corporação pedindo a compra de uma embarcação a motor.

O comandante da companhia argumenta que Paraty possui enseadas, ilhas e áreas costeiras de difícil acesso. Ele deu o exemplo da praia do Sono, que está a uma hora e 30 minutos da sede da PM, via acesso terrestre.

Um dos responsáveis pelo policiamento na cidade disse que, no fim do ano passado, PMs precisaram caminhar por cinco horas até chegar em Ponta Negra, onde tentariam cumprir um mandado de prisão contra um homem apontado como traficante do CV.

A pé, PMs não conseguiram prender o suspeito, que fugiu pela mata.

Semanas antes, policiais haviam tentado acessar a área com um barco cedido à PM, mas a embarcação virou no mar revolto.

A Polícia Militar disse em nota que na quarta-feira (14) deu início “a uma série de ações ostensivas e repressivas em toda a cidade de Paraty”. A corporação acrescentou que “entre as medidas previstas estão operações nas praias da zona costeira, com a utilização de embarcações para apoio logístico”.

Nesta segunda (19), Cláudio Castro (PL) deve ir ao município debater a segurança pública da região. O governador deve entregar à PM local novas viaturas, lanchas e motos aquáticas.

Segundo dados enviados pela PM, 243 suspeitos foram presos em 15 meses na região. Além disso, os índices de criminalidade foram reduzidos no segundo semestre de 2025, na comparação com o mesmo semestre de 2024.

A Prefeitura de Paraty disse em nota que tomou conhecimento de supostas práticas de extorsão na praia do Sono e que comunicou a PM pedindo providências.

“Até o momento, a prefeitura recebeu relatos e informações preliminares, que estão sendo analisados e devidamente encaminhados às autoridades competentes”, declarou a gestão do prefeito Zezé Porto (Republicanos).

De acordo com policiais que atuam na área, houve uma migração do CV para ilhas e enseadas distantes por causa de operações. A ilha das Cobras, perto do centro histórico de Paraty, é considerada a base da facção na cidade.

O número de denúncias de tráfico de drogas em Paraty aumentou em quase cinco vezes de 2022 para 2025, segundo o Disque Denúncia. Houve 33 em 2022 e 152 no ano passado.

Os dados de denúncias indicam uma expansão a partir de 2024.

Considerada por moradores uma das mais afetadas pela movimentação da facção, só a região de Trindade teve 45 denúncias de tráfico de drogas registradas pelo Disque Denúncia em 2025. Foram duas em 2022.

O total de denúncias de extorsões também aumentou. O Disque Denúncias recebeu duas ligações sobre o tema em Paraty em 2022 e 25 em 2025. A tipificação considera tanto extorsões individuais, como cobranças indevidas em estacionamentos, quanto extorsões coletivas, como as taxas aos barqueiros.

T CSM

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