12/01/2026

Inflação seguirá acima da meta até 2027, estima BC

Galípolo durante coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado nesta quinta-feira (26/6) - (crédito: Fotográfo/Agência Brasil)

Banco Central revisa projeções e reduz estimativas de inflação para 2025, para 4,9%, mas mas segue prevendo inflação acima do centro da metá nos próximos dois anos

O Banco Central passou a fazer projeções mais longas para a inflação e, nesse novo cenário, não consegue fazer com que o indicador do custo de vida fique no centro da meta, de 3%, até 2027, conforme as novas estimativas que constam no Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado nesta quinta-feira (26/6).

Pelas novas perspectivas do BC, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, deverá encerrar 2025 em 4,9%, ainda acima do teto da meta, de 4,50%, passando para 3,6%, no fim de 2026, e para 3,2%, em 2027, e o relatório reconhece que os riscos para a inflação, “tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual”, apesar da desaceleração recente no indicador.

“A nossa avaliação, já colocada nas comunicações, é de uma inflação resiliente acima da meta. Apesar da surpresa baixista no período recente, no acumulado em 12 meses”, afirmou o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen. Ele reconheceu que houve surpresas no desempenho da atividade econômica, principalmente no setor agropecuário e no consumo, para o BC elevar de 1,9% para 2,1% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

Em maio, o IPCA registrou alta de 0,26%, acumulando alta de 5,32% em 12 meses. Já o IPCA-15 de junho, prévia da inflação oficial, também desacelerou e avançou 0,26%, acumulando alta de 5,40% em 12 meses. Além disso, as estimativas estão mais otimistas do que as projeções do mercado, cuja mediana coletada pelo BC no boletim Focus está em 5,25%, neste ano; em 4,50%, em 2026; e em 4%, em 2026, e em 3,6%, em 2028 — patamar que o BC prevê para o fim de 2026.

Risco fiscal

A piora do quadro fiscal tem influenciado a precificação dos riscos pelo mercado e as decisões de condução da política monetária, de acordo com o Banco Central. Ao apresentar os dados da segunda edição RPM, que substituiu o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), Guillen reconheceu que, ao decompor os fatores do prêmio de risco, o fator fiscal é o que mais influencia uma elevação na curva de juros.

“O fator fiscal, que teve contribuição menor no prêmio de risco no passado, agora, está mais elevado e se relaciona com o tema na ata de impactos de curto prazo na curva de juros”, afirmou Guillen, a jornalistas. Segundo ele, o peso do fator fiscal na composição dos prêmios de risco ficou maior desde o biênio 2015-2016, quando o governo federal modificou a meta fiscal e passou a permitir sucessivos rombos nas contas públicas.

De acordo com o relatório do BC, no balanço de riscos de alta para o cenário de inflação o diretor do BC destacou uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Entre os riscos de baixa considerados pelo BC , ressaltam-se: uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

Tribuna Livre, com informações do Banco Central

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